segunda-feira, 28 de julho de 2014

DEFICIENTE OU CORRUPTO!!!

Um dos grandes problemas em relação aos direitos dos deficientes físicos é a falta de colocação dos instrumentos que facilitem a vida dos mesmos. Entre esses instrumentos podemos citar desde a construção de calçadas, rampas, sinalizações especiais, ônibus adaptados, etc.

Nos estacionamentos públicos ou privados de supermercados, farmácias, shopping, etc é obrigatório se reservar vagas para cadeirantes e idosos. Mas para que isso funcione é necessário educação e respeito por parte da população não deficiente e que eles não ocupem essas vagas. O problema é que a falta de educação e descumprimento da lei é muito comum no dia a dia.

Para todos os eventos esportivos, teatrais, apresentações de filmes (cinemas) e shows de todas as espécies é obrigatório, por lei, se reservar algumas vagas para cadeirantes e na Copa do Mundo no Brasil não poderia ser diferente. Mas a falta de respeito pelas leis e a chamada esperteza de alguns brasileiros, não deficientes, para se conseguir assistir aos jogos foi registrada e mostra que ainda estamos muito longe de sermos o que chamamos uma Sociedade Civilizada!

Abaixo, algumas fotos que mostram flagrantes da esperteza e descumprimento da lei por parte de alguns ditos cidadãos:
Nesta foto um dos cadeirantes se levanta e invade o campo!

O que deveria ser cadeirantes assistindo o jogo em pé!!!!

Outro cadeirante!!!!!
Texto original neste endereço:
http://proinesp-se.blogspot.com.br/2014/07/deficiente-ou-corrupto.html

quinta-feira, 17 de julho de 2014

OS ESTADOS UNIDOS E O "COMBO CONTROL"


O domínio do monitoramento, produção e distribuição de conteúdo nas
redes globais de comunicação e entretenimento.
(Jornal do Brasil) - Imaginemos, apenas por uma vez, que o empertigado Phileas Fogg, e seu criado Passepartout, do livro A Volta ao Mundo em 80 dias fizessem sua viagem agora, e não, como imaginou Júlio Verne, no segundo semestre de 1872.

Em cada cidade em que chegassem, ao adentrar o quarto de hotel, desfazer as malas e mexer no controle remoto, eles certamente se surpreenderiam, ao ver, na estranha tela retangular que chamamos de televisão, fosse qual fosse o país em que estivessem, sempre as mesmas cenas, repetidas, sem cessar, em inglês, ou dubladas e legendadas no idioma local. 

Surgida como alternativa à programação da televisão aberta, a tv por assinatura tornou-se, hoje, o retrato mais bem acabado de um mundo culturalmente unipolar, em que as crianças consomem os mesmos desenhos animados, as mulheres vêem os mesmos programas culinários, os homens assistem à mesma programação esportiva, todos riem das mesmas piadas e tem a cabeça feita e as preferências moldadas por documentários e telejornais estabelecidos dentro das mesmas premissas e abordagem política.

Esse processo de imbecilização progressiva já é tão natural, e dura há tantos anos, que, para as novas gerações, que assistem sempre a mesma coisa, com a única diferença de ser apresentada em seu próprio idioma, fica fácil esquecer que toda essa maçaroca, dos animes à “filosofia”, vem de uma mesma origem e obedece a uma mesma estratégia de controle e pasteurização.

O início foi o telégrafo. Depois, veio o rádio. Impossibilitados, pela tecnologia da época, de tomar seu controle globalmente, os Estados Unidos rapidamente viram no Cinematógrapho dos Irmãos Lumiére uma forma de projetar os mitos sobre o heroísmo e a superioridade dos norte-americanos para além de suas fronteiras.

Para isso, era preciso controlar não apenas a produção de conteúdo, a partir dos grandes estúdios, em Hollywood, mas, também, e principalmente, a distribuição, em um grande número de países. O rádio só resistiu ao cinema, como meio de comunicação e controle de massas, até o advento da televisão. No início, o conteúdo televisivo era local, por ser transmitido obrigatoriamente ao vivo. Depois, com o advento do videotape, ele foi rapidamente dominado pelo país que tinha o maior estoque de conteúdo próprio, os Estados Unidos.

Finalmente, com o passar dos anos, e o avanço da tecnologia, os Estados Unidos conseguiram, finalmente estabelecer o tripé por meio do qual estão estendendo sua influência sobre dezenas de países. 

Esse tripé, que poderíamos chamar deCombo Control, ou Combo de Controle, é o mesmo que é oferecido, atualmente, pelas operadoras de telecomunicações:

A internet - cuja rede foi estabelecida inicialmente por eles, e é amplamente dominada por suas empresas, como o Google, a Apple, a Microsoft - que serve para a disseminação de conteúdo, o monitoramento de opiniões e atividades contrárias aos Estados Unidos e para a espionagem e a chantagem do usuário até o nível mais pessoal.

O telefone celular, que hoje se confunde cada vez mais com o computador, e que serve não apenas para monitorar as ligações e seu conteúdo, mas também para estabelecer a localização física de eventuais adversários, até mesmo para sua captura ou assassinato.

E a TV a Cabo, que transformou-se em uma matriz centralizada para a padronização e distribuição, em escala global, de um conteúdo que é sempre o mesmo, para cada país, e os mais diferentes segmentos em que se divide o público televisivo.

Tudo isso é feito, por meio tanto dos grandes grupos de produção de conteúdo, como a Warner, a FOX e a CNN, como dos grandes grupos de distribuição de sinais, por meio de cabo ou satélites. 

Com a recente compra da Direct TV, controladora da SKY no Brasil, a AT&T,American Telephone and Telegraph Corporation, dos Estados Unidos, tornou-se líder na distribuição de tv a cabo no Brasil e na América Latina.

Na semana passada, a ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações, “comemorou” a chegada da tv a cabo, no Brasil, ao número de 18 milhões e setecentas mil residências.

Em um país sério, ela estaria, no Congresso e fora dele, estudando uma legislação que nos permitisse oferecer uma alternativa a esse imenso público, que extrapolasse o sempre imutável menu das dezenas de canais norte-americanos. 

Texto replicado de : Mauro Santayana

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Há quem ame o país só nas Copas. Fora delas, quer que tudo se exploda

Leonardo Sakamoto
07/07/2014 08:13


Um carro enfeitado com uma grande bandeira do Brasil avançava velozmente pelo acostamento para fugir do congestionamento na rodovia dos Imigrantes na manhã desta segunda.

Um casal, que saiu animado na tarde de ontem de um restaurante no Itaim, estacionou o carro – decorado de verde e amarelo – em uma vaga para pessoas com deficiência. O veículo não possuía nenhuma sinalização de pertencer a uma pessoa com deficiência.

No sábado, um outro possante – que parecia uma festa junina ambulante de tanta bandeirola verde e amarela – abriu a janela, arremessou uma latinha de cerveja vazia na direção de uma pessoa em situação de rua que dormia no canteiro central de uma avenida, em Pinheiros, e disparou, cantando pneus.

Os três causos foram em São Paulo, mas poderiam ter sido em qualquer lugar.

Estava me perguntando qual a profundidade desse rompante de “amor ao país'' fomentado pela Copa. Por conta de cenas como essas, tenho a certeza que é mais raso que uma colher de sopa.

Olha, não me entendam mal. Quem lê este espaço sabe que amo futebol, assisti praticamente a todos os jogos da Copa e estou torcendo horrores – pela seleção e pelo meu bolão, que ninguém é de ferro. Mas eu, que detesto patriotadas, odeio ainda mais pseudopatriotadas.



Até porque quem se sente pertencente a um lugar, entende que suas ações individuais não podem tornar a vida dos outros um inferno sob o risco de colocar a perder a qualidade de vida da própria coletividade. Do que adianta, portanto, encher o seu carro de bandeirinhas, para demonstrar seu amor ao país em tempos de Copa, se você é um idiota que acredita que o mundo existe para servi-lo?

Viver em sociedade passa mais por entrega e concessão do que por reafirmação de desejos e vontades pessoais a cada momento. É pensar: será que isso não vai atrapalhar os outros?

Depois os mesmos fuinhas ainda devem encher os pulmões e cantar: “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor''. O que prova que esses discursos nacionalistas empacotados e entregues nestes momentos são tão válidos quanto uma nota de três reais.

Agradeço a Alá o fato de não ter interiorizado o que disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira, restolhos utilizados pela ditadura, tentaram me dizer – apesar dos fantásticos professores que tentaram dar outro sentido ao malfadado currículo. Nunca entendi como algumas escolas se preocupam mais em ter alunos que saibam o hino à bandeira do que compreender Guimarães Rosa.

Quando pequeno, lembro-me de ir a apenas um desfile do Dia da Independência, na avenida Tiradentes, aqui em São Paulo. E, mesmo assim, não ter ficado o suficiente para entender o que aquele bando de gente agitando bandeirinhas estava fazendo por lá. Uma das maiores contribuições dos meus pais foi exatamente ter me poupado de toda essa papagaiada patriótica.

Sei que datas como a Copa servem para compartilhar (ou enfiar goela abaixo) elementos simbólicos que, teoricamente, ajudam a forjar ou fortalecer a noção de “nação''. Mostrando que somos iguais (sic) e filhos da mesma pátria – mesmo que a maioria seja tratada como bastardos renegados.

Por isso, me pergunto se passado este momento não poderíamos fazer uma pausa para reflexão sobre nós e como estendemos o direito à dignidade a todos que habitam este território.

Ao invés de nos enrolarmos em bandeiras e transformar automóveis em carros alegóricos, poderíamos nos juntar para discutir a razão de chamarmos indígenas de intrusos, sem-teto e sem-terra de criminosos, camponeses de entraves para o desenvolvimento e imigrantes bolivianos e haitianos de vagabundos. Ou reivindicar que o terrorismo de Estado praticado durante os anos de chumbo seja amplamente conhecido, contribuindo – dessa forma – para que ele não volte a acontecer como tem acontecido.

O melhor de tudo é que, todas as vezes que alguém levanta indagações sobre quem somos e a quem servimos ou conclama ao espírito crítico sobre o país, essa pessoa é acusada de não amar o país, no melhor estilo “Brasil: ame-o ou deixe-o'' dos tempos da Gloriosa.

Não amo meu país incondicionalmente. Mas gosto dele o suficiente para me dedicar a entendê-lo e ajudar a torná-lo um local minimante habitável para a grande maioria da população. Gente deixada de fora das grandes festas, entregues ao pão e circo de desfiles com tanques velhos e motos de guerra remendadas. Mas que, quando voltam para casa, encaram a realidade da falta, da ausência, da dificuldade e da fome.

Qual a melhor demonstração de amor por um país? Vestir-se de verde e amarelo e sair gritando Brasil na rua? Ou ter a pachorra de apontar o dedo na ferida quando necessário?

Ama a si mesmo, por outro lado, os que se escondem do debate, usando como argumento um suposto “interesse nacional'' – que, na verdade, trata-se de “interesse pessoal'' (aliás, somos craques em criar discursos que justificam a transformação de interesses de um pequeno grupo em questão de interesse público). Se questionados, correm para trás da trincheira fácil do patriotismo.

Que, afinal de contas, como disse uma vez o escritor inglês Samuel Johnson, “é o último refúgio de um canalha''.

Texto original: BLOG DO SAKAMOTO

domingo, 29 de junho de 2014

Não vai ter copa!

O que mais se ouvia nos últimos dois anos era esse mote eleitoral! Mas sempre ouvia essa frase dos programas televisivos (que tem lado político) e dos políticos da oposição. Só que agora estamos no ano da copa, em pleno desenrolar do campeonato mundial e mostrando que o que toda grande imprensa falava era propaganda e não informação!

Só que vi muito professor usando o ter “não vai ter copa” alegando que o mais interessante seria utilizar o dinheiro para melhorar a educação, saúde e segurança. Muitas das vezes questionei que eles não deveriam entrar no embalo da imprensa por estarmos em pleno ano eleitoral e estavam usando a copa e os desejos dos professores para utilizarem a copa como mote de campanha eleitoral contra o governo. Não precisa dizer que fui chamado de petista, de está recebendo CC, esta recebendo por fora e outras argumentações que não deveriam partir dos professores.


Pois bem, acham que o dinheiro gasto na copa deveria ser gasto na educação, saúde e segurança, que também concordo! Mas se não é um processo eleitoreiro, alguém pode me dizer quanto se gasta, do dinheiro público, com carnavais (prévia carnavalescas, o próprio carnaval e carnavais fora de época), festas juninas e réveillons todos os anos? Quantos programas jornalísticos, de diversão e até novelas se via tamanho ímpeto em favor da educação em anos não eleitoreiros? Quantos professores protestaram a grande quantidade de dinheiro utilizado anualmente nestas festas? Na realidade se gasta uma copa por anos na realização destas festas!

O que mais impressiona é ver professores, advogados, jornalistas e profissionais universitários fazendo o mote dos órgãos de impressa! Só que a impressa deveria informar e não emitir opinião, afinal de contas a imprensa tem lado políticos e são as empresas que mais ganham com dinheiro público utilizados nessas festas com grande volume de pessoas. A Rede Globo é uma das empresas que mais está ganhando com a realização da Copa do Mundo no Brasil. Alias, a Rede Globo ganha muito dinheiro não somente com a copa, mas com a transmissão do Carnaval, Campeonato Brasileiro e das diversas festas juninas nas diversas cidades e ainda não vi esses órgãos de impressa, professores, advogados e demais profissionais fazendo campanha não vai ter carnaval e não vai ter festas juninas!

A manipulação mediática é tão grande que a Revista Veja previa que os Estádios para copa só ficariam pronto em 2038!!!

Textos relacionados:

Você sabe quanto custa o carnaval?
A Copa e o carnaval
O ressentimento de Faustão com a Copa do Brasil

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

Texto original : O ESPINHOSO

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Professor processado por tomar celular de aluno ganha causa na justiça


Professor Odilon Oliveira
O professor de ciências Odilon Oliveira Neto, 43 anos, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Amintas Leopoldino Ramos, localizada na Vila de Samambaia, em Tobias Barreto (SE), comemorou a decisão do Juiz Elieser Siqueira de Souza Junior, da 1ª Vara Cível e Criminal do município, que julgou improcedente a acusação de um aluno contra o docente.

Odilon foi processado pelo estudante Thiago Anderson Souza, representado por sua mãe Silenilma Eunide Reis, por dano moral após tomar o celular do aluno em sala de aula. Segundo a defesa do estudante, ele teria utilizado o celular para olhar as horas e, ao ter o celular tomado, passou por "sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional".

domingo, 18 de maio de 2014

SOLTANDO OS NEGROS E LIBERTANDO OS ANIMAIS

É muito comum assistirmos nos diversos programas, principalmente de televisão, sobre ecologia, vermos animais serem libertos para manutenção da espécie. Em alguns desses programas passam os procedimentos e critérios para se soltarem esses animais em seu ambiente natural.

A grande maioria desses animais são apreendidos entre pessoas que: criam os animais sem os devidos tratos (as vezes sem autorização dos órgãos competentes), vendedores inescrupulosos e até mesmo entre traficantes internacionais. Grande parte desses animais, quando da apreensão, estão em estado de saúde debilitados devidos aos maus tratos.

domingo, 11 de maio de 2014

A morte da imaginação

Especialistas em informática previram que, num futuro não muito distante, chips serão implantados no corpo. Estão atrasados. Corpos já pertencem a máquinas.


Jacques Gruman

Nunca entendi essa obsessão por sorrisos em fotografias. Deve ser um conluio com os dentistas. (Nora Tausz Rónai)

Reza uma antiga lenda que dois reinos estavam em guerra. Os perdedores acabaram condenados ao confinamento do outro lado dos espelhos, um primitivo mundo virtual em que eram obrigados a reproduzir tudo o que os vencedores faziam. A luta dos derrotados passava a ser como escapar daquela prisão. O genial Lee Falk inspirou-se nesta narrativa para criar, na década de 1940, O mundo do espelho, para mim uma das mais aterrorizantes histórias do Mandrake. Espelhos foram, aliás, protagonistas de algumas sequências cinematográficas assustadoras. Bóris Karloff, um clássico do gênero, aproveitou muito bem o medo, que desde crianças carregamos, de que nossos reflexos nos espelhos ganhem autonomia. Ui! Já imaginaram se isso virasse realidade? Teríamos que conviver com nossos opostos, um estranhamento no mínimo desconfortável. Os quadrinhos exploraram o assunto também na série do Mundo bizarro, do Super-Homem. Era um nonsense pouco habitual no universo previsível dos super-heróis.

Estava pensando nos estranhamentos do mundo moderno quando me deparei com uma pequena nota de jornal. Encenava-se a ópera Carmen, de Bizet, no Theatro Municipal do Rio. Suponho que a plateia, que pagou caro, estava mergulhada na história e na interpretação da orquestra e dos solistas. Não é que um cidadão saca seu iPad e passa um tempão checando os e-mails, dedinhos nervosos para cima e para baixo, com a tela iluminando a penumbra indispensável para a fruição plena do espetáculo? Como esse tipo de desrespeito está entrando na “normalidade”, apenas uma pessoa esboçou reação. Uma espécie de angústia semelhante à incontinência urinária se espalha como praga nas relações pessoais e no uso dos espaços público e privado. Tudo passou a ser urgente. Todos os torpedos, e-mails e chamadas no celular viraram prioridade, casos de vida ou morte. Interrompem-se conversas para olhar telinhas e telonas, desrespeitando interlocutores. Como este tipo de patologia tende a se diversificar, já há gente que conversa (?) e olha o computador ao mesmo tempo, como aqueles lagartos esquisitos cujos olhos se movimentam sem aparente coordenação. Outros participam de reuniões sem desligar sua tralha eletrônica (na verdade, não estão nas reuniões). Especialistas em informática previram que, num futuro não muito distante, chips serão implantados no corpo. Estão atrasados. Corpos já pertencem a máquinas. A vida é controlada à distância e por outros.

Outro estranhamento vem da inundação de imagens, aflição que chamo de galeria dos sem imaginação. Enxurradas de fotos invadem o espaço virtual, a enorme maioria delas sem o menor significado e perfeitamente descartáveis. O Instagram recebe 60 milhões de fotos por dia, ou seja, quase 700 fotos por segundo! Fico pensando no sorriso irônico ou, quem sabe, no horror em estado bruto, que Cartier-Bresson esboçaria se esbarrasse nisso. Ele, que procurava a poesia nos pequenos gestos, no cotidiano que se desdobrava em surpresas, nos reflexos impensados, jamais empilharia a coleção de sorrisos forçados que caracteriza a obsessão pelos clics.

Essa história dos sorrisos foi muito bem notada pela Nora Rónai, que citei logo no início. Vivemos a era das aparências. Com a multiplicação das imagens, vem a obrigação de “estar bem”. Afinal de contas, quem vai querer se exibir no Facebook ou nas trocas de mensagens com uma ponta de melancolia ou, pelo menos, um suspiro de realidade? O mundinho virtual exige estado de êxtase permanente. Uma persona que não passa de ilusão. Criatividade não quer dizer tristeza, claro, mas certamente precisa incorporá-la como tijolo construtor da nossa personalidade. O resto é fofoca. Eric Nepomuceno, tradutor e escritor, fez o seguinte comentário sobre seu amigo Gabriel Garcia Márquez, que acabara de morrer: “Tudo o que ele escreveu é revelador da infinita capacidade de poesia contida na vida humana. O eixo, porém, foi sempre o mesmo, ao redor do qual giramos todos: a solidão e a esperança perene de encontrar antídotos contra essa condenação”. Nada que essas maquininhas onipresentes possam registrar, elas que jamais entenderiam a fina ironia de Fernando Pessoa no Poema em linha reta, que começa assim: “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”. Mais adiante: “Arre, estou farto de semideuses. Onde é que há gente nesse mundo ?”.

A praga narcísica desembarcou nas camas. Leio que nova moda é fazer selfies depois do sexo. O casal transa, mas isso não basta. É urgente compartilhar! Tira-se uma foto da aparência de ambos, coloca-se no Instagram e ... pronto. O mundo inteiro será testemunha de um momento íntimo, talvez o mais íntimo de todos. Meu estranhamento vai ao paroxismo. É a esse mundo que pertenço? Antigamente, era costume dizer que o que não aparecia na televisão não existia. Atualizando a frase: pelo visto, o que não está na rede não existe. É a universalização do movimento apenas muscular, sem sentido, leviano, rapidamente perecível.

Durante o exílio, o poeta argentino Juan Gelman passou um bom tempo sem conseguir escrever. A inspiração não vinha. Disse ele: “A poesia é uma senhora que nos visita ou não. Convocá-la é uma impertinência inútil. Durante uns bons quatro anos, o choque do exílio fez com que essa senhora não me visitasse”. Quando, finalmente, a senhora chega, tudo muda, como narra o poeta: “A visita é como uma obsessão. Uma espécie de ruído junto ao ouvido. Escrevo para entender o que está acontecendo”. Não consigo imaginar uma serenidade como essa no mundo virtual. Tudo nasce e morre antes de ser completamente absorvido. Cada novidade passa a ser vital, filas se formam nas madrugadas nas portas de lojas que começam a vender modelos mais avançados de produtos eletrônicos. Não dá pra esperar um dia, muito menos uma hora. O silêncio e a introspecção são guerrilheiros no habitat plugado. Estou me alistando neste exército de Brancaleone.

Texto originalmente publicado: CARTA MAIOR

Texto replicado : CARLOS GEOGRAFIA

sábado, 3 de maio de 2014

Por que me exonerei de meu cargo efetivo de Professor da Educação Básica II do Estado de São Paulo depois de somente 3 semanas.


Graduei-me em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), cerca de 700km longe de minha casa. Não posso mentir dizendo que passei dificuldades financeiras para tal até porque, apesar de não haver luxo, nunca me faltou nada: alimento, xerox, material, livros, e até mesmo lazer. Mas não podemos negar que foi um investimento pessoal.

No sétimo semestre do curso decidi que queria ser professor. Também não posso mentir dizendo que não sabia onde estava pisando, pois sabia que é uma profissão desprestigiada financeiramente, e em alguns casos até mesmo moralmente. Mas segui e sigo com este desejo.

Após me licenciar, fiquei por anos sem exercer a docência: passei pelo administrativo de uma escola particular, pelo trabalho temporário do IBGE, por bico como instrutor do idioma esperanto, até chegar a servidor técnico-administrativo de nível médio da rede federal de ensino, na qual fiquei por 03 anos. Quando servidor federal, pude fazer duas pós-graduações em nível de especialização além de um curso de aperfeiçoamento, e hoje sou segundoanista do curso de Serviço Social da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Sou um "buscante" do conhecimento, mas nada me valia não aplicá-los um pouco que fosse, pois vivia encarcerado numa burocracia administrativa que particularmente me desumanizava. Também, portanto, não venha com a máxima embolorada do "quem sabe, faz; quem não sabe, ensina". Porque, modéstia a parte, sei alguma coisa!

Esclareço dizendo que não foi o concurso do Estado de São Paulo (no qual passei em 7º lugar, enferrujadíssimo, diante de uma amplíssima concorrência) o definidor para me exonerar de meu emprego federal, mas sim um outro concurso em uma prefeitura de minha região (no qual fiquei em 1º lugar), que paga muito "menos pior". Comparem:

Prefeitura - R$1590,00 por 10 aulas de efetivo exercício em classe;

Estado - R$677,00 por 09 aulas de efetivo exercício em classe.

Sim, no estado mais rico do Brasil e o mais caro para se viver! Contudo, como fui bem sucedido nos dois concursos e o acúmulo dos dois é legal, resolvi abraçar o estado e pegar uma escola estadual para a qual pudesse me locomover a pé, me garantindo qualidade de vida. E é aí que minha desilusão começou, a partir dos exames admissionais: são tantos exames, e praticamente impossível fazê-los todos pelo SUS e/ou convênio (isso quando o pobre do professor tem um), que o gasto chega a ser exorbitante, e eu particularmente senti-me um candidato à NAASA! Já depois de começar a exercer a docência, torna-se impossível estar nas duas redes e não fazer comparações de todos os tipos (e olha que a prefeitura está longe de ser perfeita), estas não só salariais mas de estrutura, de ambiente, e de condições de trabalho em geral. Pensei "tudo bem, vou fazer pelos estudantes", mas as próprias condições objetivas tornam tudo impossível para qualquer trabalho satisfatório, o que me fez ficar frustrado e sentir-me impotente diante da barbárie:

- Há uma verdadeira sopa de letrinhas que dividem e até mesmo rivalizam os professores da rede estadual paulista. A regra do Governo é "dividir para reinar". E me assustei com a falta de consciência de classe e até mesmo de união entre muitos professores. Mas também, professores eventuais, categorias O, categorias F e efetivos dividem a mesma sala dos professores, atuam na mesma situação bárbara, e recebem tratamento diferenciado. E sim, apesar de eu ter sido efetivo, toda essa precarização me atingia, e como sociedade ainda me atinge;

- Não há livros para todos os estudantes ou, quando há, a distribuição é falha. Cabe aqui a hashtag #comofaz;

- A aprovação automática (que é bem diferente do conceito de progressão continuada) é um verdadeiro crime não só por ridicularizar o trabalho do professor, mas também por boicotar o processo de ensino-aprendizagem dos próprios alunos;

- Na escola onde eu estava lotado, por exemplo, não há sequer um mapa mundi. O giz nem sempre se faz escrever sobre a lousa. A apostila é péssima, o livro um pouco melhor. Como ensinar Geografia assim, com a concorrência dos diversos eletrônicos que os estudantes consomem e tentam utilizar escondidos de nós professores? Eu finjo que ensino, eles fingem que aprendem? Não precisam responder esta! Vejam, não quero alunos com tablets e toda uma parafernalha (aliás, soy contra!), mas que exista pelo menos o mínimo;

- As perspectivas de carreira são horríveis, em todos os sentidos. Os incentivos para pós stricto sensu são, na maioria das vezes, para quem dá aula exclusivamente no estado: alguém consegue viver bem assim? Quase todos os abordados por mim diziam que estavam lá para terem "mais uma aposentadoria", mas mesmo assim questionavam-se se estava valendo a pena. Outros eram professores novos, como eu, que estavam lá por se tratar da primeira oportunidade;

- A carga horária das disciplinas não possuem qualquer lógica, e no Ensino Médio as ciências humanas pagam o pato de ter bem menos aula que o necessário. Alguém me ensina como fazer um trabalho satisfatório - nas condições acima, para piorar - dando só uma aulinha semanal para um terceiro ano do Ensino Médio, cuja maioria está ávida para entrar numa universidade?;

- Antes de assumir o cargo, passei na escola para mostrar meu horário da outra rede, para fins de acúmulo legal, para que já pudessem arrumar (já no início do ano) meu horário para segundas e sextas-feiras. Conseguiram distribuir, apesar disso, 9 aulinhas em 4 dias da semana em horários bem diferentes, chocando não só aulas das duas redes, mas também aulas na própria escola (!!!). Mais uma vez prejudicado pelo sistema;

- Ficamos reféns dos estudantes e não há qualquer suporte. Estaria mentindo se disser que cheguei a ser refém de violência, mas sim, afrontas são frequentes e não existe nem a opção de deixar quem não está a fim de assistir aula para fora e dar aulas para quem está interessado. Somos obrigados a reter todos em sala de aula como se fosse creche, e contraditoriamente não há como reprovar. O negócio é empurrar com a barriga. Mas ai se não cumprir com todas as tarefas burocráticas... Aluno fugiu correndo da sala de aula? Culpa do professor! Lá vem o inspetor capitão do mato... Não, ambiente nada saudável para se trabalhar;

- Falando em burocracia, hora de entregar as notas. "Mas eu acabei de chegar, não pude aplicar nada, e ninguém antes de mim aplicou nada também!". "Ah, faça qualquer coisa, peça um trabalhinho". "Mas houve feriado neste mês, meu horário está desorganizado, dou poucas aulas, e não sei o nome de ninguém.". "Ah, mas tem que entregar as notas, professor!". "Mas que notas?! Avaliar como, que aprendizado, se comecei agora e nada do programa foi ensinado?". "Ah professor, são os prazos". "Ah, deixa pra lá...". Essa é a droga da educação estadual em uma escola considerada "filé", "modelo", etc, mesmo havendo todos os tipos de dificuldades (até mesmo para ENTRAR na escola, dada a falta de funcionários em suficiência), e... bombas;

- Dar aula no período noturno, em muitos locais, é uma aventura. Diversos perigos no trajeto casa-escola, escola-casa, ou - para muitos - uma escola para outra. Tive o desprazer de ter a única aula do período noturno (antes sendo a primeira de segunda-feira, próxima à última vespertina, a qual também ministrava) isolada para a última de quarta-feira "porque não tinha como deixar como estava" (sendo que era a única aula que não dava problemas pra mim, seria um castigo disfarçado?), quando faço outro curso superior e já havia trancado uma disciplina da universidade na segunda-feira. Imaginem que delícia ter de perder mais a disciplina da universidade de quarta (o dia inteiro) só para me deslocar à escola e dar uma única aulinha... Imaginem como estava 'feliz'. Mas não posso reclamar, né? Afinal "não é acúmulo legal, você não trabalha em outro órgão público durante o período noturno"... "Muitos professores que dão aula em Bertioga gostariam de estar aqui no seu lugar...". Ah tá, legal, mas minha própria condição de universitário me possibilita bolsas com melhor relação custo x benefício, bem menos dor de cabeça, e ainda ganho linha no tal currículo Lattes.

Assim meu ideal de promover educação para os filhos da classe trabalhadora foi para o saco no caso da rede estadual paulista. Não estou para brincar ou para fingir. Não sou professor "tia maricota" ou "leitor de apostila". Prefiro ficar na rede municipal na qual estou, quem sabe complementar a carga para ganhar mais e ter menos dor de cabeça. Ou então pensar em algum tipo de bolsa na UNIFESP, já que também sou estudante de graduação lá. Ou quem sabe algumas aulas em algum cursinho popular ou até mesmo escola particular caso fique necessitado de dinheiro... Só sei que o estado de São Paulo só vale a pena no caso de ser a última opção para quem está com a corda no pescoço, por isso o entra e sai de professores é tão grande, até por parte dos efetivos concursados como foi meu caso, várias matérias jornalísticas mostram isto. Simplesmente não vale a pena, e sei que não fui o único. Desejo sorte e dou toda a solidariedade aos camaradas que ficam lutando na trincheira, tirando leite de pedra, alguns em escolas melhores que a minha, outros em bem piores... Mas todos sofrendo com o salário achatado, os horários esdrúxulos, a desvalorização, o assédio moral como regra, os acertos desfeitos, o conflito professor x aluno que a cada dia se acirra mais, dado os estudantes que são educados exclusivamente pela TV, a parte imbecil da internet, e o Whatsapp.

Deste "maior concurso do magistério do estado de São Paulo" já foram chamados alguns professores, e está sendo chamada a segunda leva. Alguns, como eu, já se exoneraram. Outros, vão aguentar por não terem outra opção. E o exército de professores eventuais, contratados em caráter precário, e contratados estáveis, continuará existindo de maneira massiva mesmo depois de rodar toda a lista do concurso, para o mal da educação pública. E para o bem estrito do demotucanato paulista (a quem não interessa educar ninguém de fato, nem mesmo de maneira utilitária, menos ainda emancipatória), de alguns burocratas asseclas, da Veja (que fala que professor é vagabundo, doutrinador, e se a educação vai mal a culpa é dele), e de certo rol de "pedabobas" que nunca pegaram um giz na mão mas têm ataques de diarreia pedagógica por meio do mundo mágico de teóricos dos quais nunca leram um livro inteiro. Para mim, deu. Toda a solidariedade a quem me substituir, mas estou fora... Tenho outras cartas na manga, e nunca fiz qualquer concurso público só pelo "sonho da estabilidade".

Enquanto isto, quem não pode, vai aguentando as bombas, os desacatos, as imoralidades, o sindicato pelego, o esforço indo em vão, os estudantes colocando-os contra a parede e, estes docentes, sendo genis de vários tipos de gente e da cara de pau do governador e seus parceiros no horário eleitoral falando de números esdrúxulos... E aí, por fim, a equipe da direção tentando apagar vários incêndios ao mesmo tempo... GREVE? A própria APEOESP (sindicato) barra após acordo de cúpula, junto com colegas pelegos, e até mesmo a própria Polícia Militar.

Vou me embora, assim sendo, e não é para Pasárgada não. Em três semanas desenvolvi sintomas que só fui conhecer depois de mais de três anos de serviço federal! Enquanto uma revolução não acontece, sigo com meu esboço de projeto de vida. Estado de São Paulo, volto só se mudar MUITO a conjuntura. O que parece ser impossível, face o reacionarismo padrão dos paulistas (OBS.: antes de me xingar, sou paulista também!). Então sigo do meu jeito... Infelizmente para mim, infelizmente para os alunos com brilho nos olhos, infelizmente para a educação como um todo.

Texto replicado deste endereço:
http://www.felipequeiroz.net/news/por-que-me-exonerei-de-meu-cargo-efetivo-de-professor-da-educa%C3%A7%C3%A3o-basica-ii-do-estado-de-s%C3%A3o-paulo-depois-de-somente-3-semanas-/

FELIPEQUERIZ.NET

sábado, 26 de abril de 2014

Reflexos da ditadura na educação impedem país de avançar

Em audiência na Câmara, especialistas pontuaram as heranças do período autoritário que impactam na má qualidade do ensino público e no acesso à educação.

Najla Passos

Brasília - Os reflexos da ditadura civil militar sobre a educação foram tão nocivos e profundos que até hoje, 30 anos após o início da redemocratização, impedem o país de alavancar a qualidade e democratizar o acesso a este que deveria ser um direito fundamental de todo brasileiro. Em audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara, nesta quinta (24), especialistas foram unânimes em apontar as heranças do regime como principais responsáveis pela má qualidade da educação pública e pela vergonhosa falta de acesso a ela para os pelo menos 14 milhões de analfabetos, além de número maior ainda de analfabetos funcionais.

Presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti lembrou que a ditadura pôs fim ao ambiente de otimismo pedagógico dos educadores brasileiros com o avanço da educação popular e emancipatória já nos primeiros dias após o golpe. Em 14 de abril de 1964, um dia antes do general Castelo Branco assumir o posto de ditador, foi extinto o Programa Nacional de Alfabetização, que vinha sendo implantado no país pelo educador Paulo Freire e seria inaugurado oficialmente em maio. Segundo ele, não foi nenhum rompante do regime. A decisão já havia sido tomada um ano antes, quando Castelo Branco ouvira Paulo Freire em um evento no interior paulista. “Vocês estão engordando cobras”, teria diagnosticado o futuro ditador.

Na sequência, vieram as reformas educacionais que arrasaram com o modelo de educação brasileira. O presidente do Instituto narrou que, em 10 de junho de 64, na primeira reunião com secretários de educação, Castelo disse textualmente: o objetivo do meu governo é estabelecer a ordem entre trabalhadores, estudantes e militar. E seu ministro Suplicy completou: estudante deve estudar, professor deve ensinar, e não fazer política. “Aí está o programa da ditadura: uma visão autoritária da educação e uma visão tecnicista que ainda permanece, suavizada, sem a ostentação e arrogância daquele período”, avaliou.

Gardotti ressaltou também a introdução do caráter mercantilista da educação, trazido dos Estados Unidos, que a transforma em negócio, ao invés de direito. “Havia uma lógica de privatizar”, denuncia. Ele criticou a reforma universitária, que promoveu a “departamentalização”, apontada como estratégia para fragmentar o conhecimento. E também a forma autoritária como eram impostos os diretores, selecionados não pelo desempenho acadêmico, mas pelo perfil gerencial. “A reforma universitária visava reformar para desmobilizar”, resumiu.

Sobraram críticas também à reforma do ensino básico, feita de modo a impedir o crescimento intelectual dos alunos. “A reforma da educação básica tem coisas hilárias, como dizer que todo mundo tem que se profissionalizar porque Jesus Cristo foi carpinteiro”, exemplificou. Segundo ele, em uma época que até o Banco Mundial preconizava que os trabalhadores tinham que ter uma formação generalista, a ditadura obrigou todas as escolas de ensino médio a introduzir a formação técnica compulsório, sem nenhum preparo para isso, e o resultado foi um fracasso.

Outro fracasso registrado foi o do Mobral, criado para alfabetizar jovens e adultos e extinto no governo Sarney. Em quase 20 anos, o programa, que prometia acabar com o analfabetismo em 10, conseguir reduzir a taxa apenas de 33% para 25%. “O Mobral alfabetizou muito pouco. E era muito mais fácil do que hoje, porque esses 8% residual que temos agora está no campo e em locais de difícil acesso”, analisou.

No inventário dos prejuízos causados pela ditadura à educação brasileira, ele incluiu também o desmantelamento dos vários movimentos sociais e populares, a eliminação da representação estudantil e a perda da capacidade dos educadores de influir nos rumos da educação. Para ele, é preciso mudar a concepção da educação. “Nós temos que formar professores a partir de uma outra ótica, de uma outra concepção de educação que respeite o saber das pessoas, que introduza o diálogo, o respeito, e vença aquilo que é o mais duro do que foi herdado da ditadura: a falta de democracia”, diagnosticou.

Como exemplo, ele citou o quanto ainda é difícil implantar um conselho de escola ou mesmo difícil discutir política na escola, o que considera salutar para o país.

“Estamos formando gerações sem discutir que país queremos”, afirmou. Gardotti lembrou que Paulo Freire já dizia que educar é politizar sim. “Não podemos formar estudantes na velha teoria do capital humano: estude, trabalhe e ganhe dinheiro. Paulo Freire respondeu claramente a esta teoria na época: a educação que não é emancipadora faz com que o oprimido queira se transformar em opressor”, concluiu.

O sociólogo e colunista da Carta Maior, Emir Sader, lembrou que o arrocho salarial foi tão importante para a sustentação da ditadura quanto a repressão sistemática, o que acabou comprometendo a qualidade dos serviços públicos, inclusive a educação. “O santo do chamado “milagre econômico” foi o arrocho salarial”, afirmou. Segundo ele, até então, a escola pública era um espaço de convivência entre a classe pobre e a classe média, um espaço de socialização. “A classe média, a partir daquele momento, passou a se bandear para escola particular, fazendo um esforço enorme, colocando no orçamento os gastos de escola e deixando a escola pública como um fenômeno social de pobre”, observou.

O sociólogo avalia que a ruptura causada foi tão significativa que a escola pública, até hoje, não recuperou seu vigor. “A democratização não significou a democratização do sistema educacional, não significou a recuperação da educação pública, da saúde pública. Isso está sendo feita a duras penas na última década, mas com uma herança acumulada brutal. Já tem reflexos no ensino universitário, mas não em toda a educação: a escola pública nós perdemos”, ressaltou.

Para ele, os investimentos em educação superior são importantes, mas é a reconquista da qualidade da educação primária e média que deve ser tema fundamental e urgente à democracia brasileira. “Estamos muito atrasados. Até a saúde pública, apesar do viés duríssimo da perda da CPMF, nós conseguimos melhorar agora com o programa Mais Médicos. Mas a educação, não. A estrutura de poder herdada da ditadura só se consolidou, inclusive a da educação privada”, observou Sader, lembrando que os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso aprofundaram ainda mais o processo de privatização deflagrado pelos militares.

Sadir Dal Rosso, professor da Universidade de Brasília (UnB), uma das mais afetadas pelo golpe civil militar, submetida a três intervenções, abordou o impacto da ditadura na universidade e na construção do pensamento brasileiro. Segundo ele, o controle das administrações universitárias, a demissão e expurgos de professores que não concordavam com o regime, os assassinatos de estudantes, o controle das organizações estudantis e a implantação de serviços de informação no meio acadêmico causaram prejuízos imensuráveis ao país, que ainda precisam ser investigados e punidos. “É necessário esclarecer a verdade e, neste sentido, é necessário rever a Lei da Anistia”, defendeu.

Texto originalmente publicado: CARTA MAIOR

segunda-feira, 7 de abril de 2014

OITO DICAS PARA SE COLOCAR NO LUGAR DA AUDIÊNCIA

A obrigação de se fazer entender é de quem fala ou escreve, não de quem ouve ou lê” (Ricardo Amorim). Essa frase, tirada de uma entrevista do Ricardo Amorim (economista e integrante da bancada do programa Manhattan Connection, da GloboNews), é realmente interessante.

Quando começamos a preparar uma apresentação, o mais importante de tudo é que a audiência entenda o nosso conteúdo, correto?
Esse é o objetivo principal de fazermos aquele PPT com nosso projeto, ideia, produto, metas, etc.

Mas como nos fazer entender? Vamos à prática!

1) Quem é minha audiência?
Para que você se faça entender com mais clareza, é preciso levar em conta uma das premissas básicas da comunicação: quem é minha audiência? Saiba antes quem são, quantos são, o grau de envolvimento e de conhecimento sobre seu conteúdo e, principalmente, o que eles não sabem.

2) Inverta os papéis
Um dos primeiros passos para criar uma apresentação de destaque é se colocar no lugar de quem vai ouvir a sua narrativa. Para garantir que todos captem a sua mensagem, você precisa ser inteligível, interessante e fluído ao apresentar.

3) Seja claro
Use linguagem apropriada. Sempre inicie o roteiro da sua apresentação pensando se a linguagem é pertinente para seu público. Use a postura, a linguagem corporal e os gestos para deixar sua mensagem mais atraente.

4) Exemplifique
Pense em como os presentes podem aplicar sua ideia ou conceito no dia a dia deles. Ou seja, dê exemplos práticos também.

5) Evite o “tecniquês”
Evite abusar da linguagem técnica ou de termos complicados. Na medida do possível, use linguagem coloquial e simples, facilitando o entendimento. E, claro, capriche no visual dos slides.

6) Conte uma História
Engaje sua audiência contanto uma bela história, com começo, meio e fim e na qual ela se identifique. Afinal de contas, quase ninguém se lembra de datas (QUANDO aconteceu), mas quase todo mundo se lembra DO QUE aconteceu.

7) Questione
Faça pausas e questione os presentes a cada tópico. Deixe sempre um tempo ao final para sanar dúvidas e responder perguntas.

8 ) Treine
Treine, treine, treine. Esse tópico é autoexplicativo.

Aqui na SOAP, quando vamos entender o briefing do cliente, geralmente iniciamos exatamente detalhando qual tipo de audiência assistirá àquela apresentação.

E o melhor jeito de fazer isso é se colocar, de verdade, no lugar do cliente. 

Autor: Sergio Auerbach – Paulistano, corintiano, formado em cinema e comunicação. Acredita que conteúdo é comunicação. Ou será o contrário? –

Teto replicado do blog : PROFESSOR ANTOMAR MARINS