sexta-feira, 25 de maio de 2018

Falso discurso da Escola Sem Partido avança no Congresso

Para coordenador da Contee, projetos da Escola Sem Partido representam a nova Lei da Mordaça


Por João Batista da Silveira

Na terça-feira 8, o deputado Flavinho (PSC) apresentou o projeto da Escola Sem Partido (PL 7180/14) prevendo que cada sala de aula tenha um cartaz com seis deveres dos professores, entre os quais o primeiro é a proibição de que os docentes “cooptem” os estudantes para correntes políticas, ideológicas ou partidárias.

O projeto propõe, na verdade, a escola de partido único, porque proíbe o debate e a livre circulação de idéias nas salas de aula. Para muitos, trata-se de uma verdadeira “Lei da Mordaça”.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Quais as consequências da aquisição da Somos Educação pela Kroton?

Em artigo, educadores falam sobre a descaracterização da educação como direito do cidadão e dever do Estado e a criação de mercados educacionais diversos

 
A aquisição do SOMOS Educação pela Kroton evidencia mais uma consequência da equivocada política de desregulamentação da oferta educacional por grupos privados efetivada pelo governo brasileiro que induz a presença de corporações associadas ao capital financeiro como fornecedores prioritários, tanto da oferta direta da educação, quanto na de insumos educacionais, descaracterizando a educação como direito do cidadão e dever do Estado e alimentando a criação de mercados educacionais diversos.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Sem educação, não há democracia; sem democracia, não há educação

O impedimento à uma educação crítica e de qualidade serve perfeitamente aos propósitos dos detratores da democracia


Se há algo que democracia e educação têm em comum, além do fato de uma não prescindir da outra, de não existir em plenitude sem a outra, é a profunda ameaça que paira sobre ambas no Brasil atual. Combalida desde o golpe parlamentar-jurídico-midiático que derrubou a presidenta Dilma Rousseff em 2016, a democracia enfrentou mais um grave abalo nos últimos dias, com a negação do habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Supremo Tribunal Federal (STF), num julgamento que não só rasgou a Constituição Federal — em especial o inciso LVII do artigo 5º da Carta Magna, segundo o qual “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” — como contribuiu para solapar o próprio Estado Democrático de Direito.

terça-feira, 27 de março de 2018

“A universidade não inclui o preto, periférico e trabalhador”

por Victória Damasceno — publicado 26/03/2018 00h11, última modificação 23/03/2018 18h09

Wellington Lopes, estudante de Ciências Sociais em universidade pública, teme não concluir o curso após corte em bolsa de permanência

O estudante perdeu sua bolsa de auxílio à permanência e agora teme não conseguir concluir o curso
“É aquela fita né, pra gente sempre é mais difícil”. É desta forma que Wellington Lopes define a realidade da população negra, pobre e periférica nas universidades públicas do Brasil. Estudante da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), o jovem de 21 anos saiu de Poá, no extremo leste de São Paulo, rumo a Paranaíba (MS) no início de 2015 para estudar Ciências Sociais.

O curso lhe deu a oportunidade de pensar a respeito de sua realidade, mas no momento de aplicar a inscrição no Sisu para disputar a vaga a escolha foi pragmática. “Eu não tinha ideia do que eu queria, só queria fazer qualquer coisa. Não importa o que eu fizesse, já seria algo gigantesco para a minha vida.”

quarta-feira, 14 de março de 2018

A formação da identidade profissional dentro das escolas

Para João Batista da Silveira, relação de trabalho dentro das escolas - espaço que deveria ser de vanguarda - segue a lógica da mercantilização do ensino e consequente precarização

REDAÇÃO 9 de Março de 2018


Por João Batista da Silveira 

Escrever ou falar sobre a formação ou identidade de uma categoria é mais fácil quando esta é detentora, além da carreira, de um efetivo programa de formação inicial e continuada. Não é o caso da categoria dos auxiliares de administração escolar ou técnico-administrativo. A começar pelo nome. Sempre que esta categoria é citada, é necessário também acrescentar mais alguns termos para que seja bem entendida. Termos como “todo o pessoal que trabalha em escola privada e não são professores” são usados para ajudar na identificação deste grupo de profissionais.

terça-feira, 13 de março de 2018

A influência das mães de classe média na escola pública

Famílias atuam nas unidades públicas por diversidade, prédios espaçosos e apropriados, alimentação adequada, e mais envolvimento no processo pedagógico

CAROL SCORCE 12 de Março de 2018

O Conselho Escolar é um dos espaços onde os pais podem atuar diretamente
O movimento de mãe e pais de classe média transferirem seus filhos de escolas particulares para escolas públicas tende a se aprofundar em momentos de crise econômica, como a que o país atravessa. Em 2017, 220.767 estudantes matriculados na rede estadual de São Paulo vieram da rede privada, um número 25,8% maior do que os que fizeram a mudança em 2012 (175.404). No mesmo período, o desemprego cresceu de forma alarmante, forçando a classe trabalhadora a abrir mão de serviços privados como educação e saúde.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Por que o Maranhão consegue pagar o maior piso salarial do País a professores?

Com o reajuste de 6,81%, os professores terão como salário inicial 5,750 mil para atuação 40 horas

ANA LUIZA BASILIO 6 de Março de 2018


O Estado do Maranhão anunciou no início do mês o novo piso salarial para os professores da rede pública, com reajuste de 6,81 %. A correção segue a indicada nacionalmente pelo Ministério da Educação para a categoria, com a diferença que, o valor pago pelo Estado, será cerca de duas vezes maior que o piso nacional, que passa a 2,455 mil este ano. Com a resolução, os professores de 40 horas no Maranhão terão como salário inicial o valor de 5,750 mil; os de 20 horas, valor proporcional.

terça-feira, 6 de março de 2018

A educação inclusiva é o alvo a ser destruído pelo autoritarismo

Em artigo, José de Ribamar fala sobre a mercantilização da educação no país e a importância da ação sindical em defesa da cidadania


No último dia de fevereiro, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) entrou com ação, no Ministério Público Federal (MPF), contra o ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, por violar a Constituição ao buscar impedir que a Universidade de Brasília (UnB) analise o golpe de 2016, encabeçado por Michel Temer e que depôs a presidenta Dilma Rousseff. É fundamental que o MPF adote todas as medidas administrativas e judiciais para coibir a conduta inconstitucional do ministro.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Quem elege quem?

Cada vez que termina uma eleição sempre ouço de várias pessoas as seguintes perguntas: Por que elegem quase sempre os mesmos candidatos? Como elegem um congresso tão atrasado (às vezes usam o termo “conservador”) que não nos representa?

Para entendermos por que isso ocorre, é preciso analisar por que as pessoas deixam de votar em algum candidato e por que as pessoas, que votam sempre, costumam escolher candidatos já conhecidos ou ligados a esses candidatos conhecidos.

As pessoas que normalmente deixam de votar em algum candidato sempre alegam que não existem candidatos a altura do voto e depois das eleições reclamam que o congresso ficou pior. Não deveriam reclamar, já que deixou

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Capes descredencia cursos em universidades de ponta

USP, UFMG, UFRJ, UNB e PUC-SP perderam programas de mestrado e doutorado; dados são da Avaliação Quadrienal 2017 da Capes

CAROL SCORCE,  16 de Janeiro de 2018


Conhecimento é poder. Em tempos de crise econômica, social e política, pode ainda ser uma arma na retomado do bem-estar coletivo e pessoal. O profissional que conclui um curso qualificado de pós-graduação tem, de modo geral, maiores oportunidades de trabalho. Já os países que investem em pesquisa e inovação tem a disposição estudos que podem se tornar políticas públicas importantes.

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) analisou 4.175 programas de mestrados e doutorados em funcionamento há pelo menos um ano, atribuindo notas de 0 a 7 para cada um. Aqueles que ganham notas 0, 1 e 2 são descredenciados da Capes – responsável, entre outras atribuições, pela distribuição de bolsas de estudo – e recebem recomendação para fechar; cursos com nota 3 e 4 são classificados como médios e estão credenciados; 5 e 6 como muito bons e de excelência nacional, e 7 são os cursos de excelência, atendendo padrões internacionais de avaliação.