sábado, 16 de junho de 2012

A PEDAGOGIA DO PARADOXO


Letramento – palavra bonita, não? 

Ultimamente é moda utilizá-la em propostas, discursos e conferências educacionais, e quem ainda não a adicionou em seu léxico pedagógico, é visto com maus olhos. Sua pronuncia soa como a solução de todos os problemas ligados à aquisição da leitura e da escrita, talvez até cure os mais variados tipos de dislexia dos educandos brasileiros, inclusive os de origem patológica.  

Como? Letrando-os de acordo com a visão dos Parâmetros Curriculares Nacionais, principalmente o de Língua Portuguesa destinado ao ensino de 1ª a 4ª séries. 

Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) – em tese é o que há de mais moderno no campo educacional brasileiro, na prática não passa de confusão metodológica. Para os mais esperançosos, talvez seja esse, o PCN de Língua Portuguesa, o “Redentor” que salvará a educação brasileira do analfabetismo.  

De que modo? Mergulhando os alunos nos mais diversificados gêneros textuais – eu rogo para que não os afogue nesse  tsunami  intelectual, já que a maioria nem domina as correspondências entre grafemas e fonemas que, segundo pesquisas científicas internacionais e nacionais (como é o caso de estudos desenvolvidos pelo laboratório de neuropsicolinguística cognitiva da USP), deveriam ser ensinadas durante a alfabetização. 

Alfabetização – vocábulo que não se encontra mais em voga em tempos construtivistas, ou, dentro de uma visão mais otimista, palavra que sofrera certo tipo de mutação didático-pedagógica: a qual alterou seus cromossomos ABC para o método global. Sua definição, segundo os PCNs, está totalmente em discórdia com as visões de um simples dicionário ou das mais criteriosas pesquisas internacionais, e no que diz espeito à sua aplicação dentro da sala de aula, foge totalmente à metodologia adotada por países desenvolvidos: o método fônico. 

Método Fônico  – no Brasil, tais palavras são palavrões; em países como Finlândia, França, Dinamarca, Inglaterra, Estados Unidos e Austrália, nada mais é do que o que há de mais eficaz no processo de alfabetização, visto que sua ênfase está voltada ao ensino explícito das correspondências entre os grafemas e os fonemas e para o desenvolvimento da consciência fonêmica e fonológica. 

Como já foi dito anteriormente, no Brasil virou tendência falar-se em letramento e todos os seus mais variados conceitos que o engloba, porém, particularmente, oponho-me a tal ideia, a partir, entretanto, do momento em que o termo em questão transforma-se em esquiva construtivista que visa à negação de uma alfabetização organizada, sistemática e, por tanto, metodizada. 

É comum, nos cursos de pedagogia, nos depararmos com uma formação docente voltada para ensinar nossos futuros alunos a brincarem e dançarem enquanto estiverem em âmbito escolar. Porém, futuramente, quando o Ministério da Educação (MEC) aplicar suas provas de CONTEÚDOS TRADICIONAIS, será que os alunos poderão responder “nesse momento estávamos brincando de roda”? Ou, em outras palavras: faço-os dançarem e, na hora da prova, eles... 

A – (  ) respondem corretamente a questão. 
B – (  ) comemoram por saber a resposta certa. 
C – (x) dançam... 

Condena-se, alegando ensino mecanicista e tradicional, a aplicação, a transmissão de conteúdos e a memorização dos mesmos e até do abecedário, porém, paradoxalmente, treinam os alfabetizandos, a partir de uma abordagem ideovisual (método global), a memorizarem visualmente as palavras e, o que é pior, aplica-se exames empiristas. Ora, se é proibido codificar e decodificar palavras, como é que os construtivistas leem a Psicogênese da Língua Escrita?  

E se não se pode ensinar os educandos as habilidades necessárias para a codificação e decodificação, como 
eles aprenderão a ler e a escrever? 

Diante de tudo isso, não é difícil perceber a estratagema política arraigada nos documentos oficiais brasileiros que, por caráter natural de sua própria nomenclatura, deveriam orientar a educação nacional, e não ao contrário. Ficando, em suas entrelinhas, uma pergunta que só os ousados podem se dar ao luxo de questionar e responder: a quem tal disparidade pedagógica beneficia?  

Eu já questionei, agora passo a você, portanto, a tarefa de responder o enigma do MEC.

Edvaldo dos Reis Oliveira Filho 
edvaldofilho_oliveira@hotmail.com 
http://edvaldodosreis.blogspot.com/ 

sábado, 9 de junho de 2012

LUTAR OU CONTINUAR ASSIM


Genha Auga – Jornalista MTB: 15.320 

O imediatismo tomou conta de nossas vidas e na velocidade que tudo acontece, caminhamos para a exaustão e trocamos caminhos por atalhos; nossas crianças pulam etapas da infância e homens e mulheres com medo de envelhecer perdem o bom senso.

A cada momento são lançados no mercado, livros, músicas e filmes na mesma proporção em que surgem produtos milagrosos para emagrecer, anabolizantes para definir o corpo, ervas milagrosas para curar doenças, tudo em nome da beleza e sucesso imediato, sem primar pela saúde, qualidade e ética.

A hierarquia está às avessas; filhos mandam nos pais, alunos desrespeitam professores, bandidos enfrentam polícia, menores vão para a noite sem os adultos, assassinos vivem livremente e nós ficamos presos em casa. 

 Nossa realidade está cada vez mais cruel, enfrentamos quimeras de uma democracia que queima pontes que nos fazem perder conexão com as verdades. Estamos acumulando informações e não conhecimentos, permitimos que a televisão despeje em nossas salas a violência sangrenta e suja e programas que “emburrecem”. Estamos enfrentando o caos, mães competem com ratos para garantir a comida e com drogas para não perderem seus filhos. 

Como marcar um compromisso com o futuro se estamos nas mãos de manipuladores que nos destroem, pisoteando valores imprescindíveis para formação do caráter e substituindo por outros que determinarão um futuro que não será dos melhores? 

Precisamos lutar, mesmo que a solução pareça cada vez mais distante. Se não dermos o primeiro passo, nunca a alcançaremos, caminhemos unidos pela força e façamos obras de nossa própria autoria, deixaremos um passado limpo e teremos vivido intensamente por uma causa justa e, só assim, nossas crianças aprenderão para depois construir. Nossa luta é imprescindível para soltar as amarras desse confinamento moral e social a que estamos submetidos e sair desse quadro de miseráveis e alienados ao qual nos emolduraram. 

Necessitamos reaver nosso direito de ir e vir, de estudar, comer e viver dignamente. Boca vazia não enche barriga, mente vazia não enche a alma e sem luta não se chega a nada.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Me engana que eu gosto...

Qual é a embalagem do açúcar que você compra? 
Saco plástico. 
Onde vem o sal que você compra? 
Em saco plástico. 
E a farinha de trigo, de mandioca, o fubá, o feijão, o arroz nosso de cada dia? 
Todos embalados em sacos plásticos. Onde é que você coloca as frutas e os legumes que você compra no supermercado? 
Em sacos plásticos. 
Onde vem os remédios que você compra nas farmácias? 
Em sacolas plásticas. 

E, por acaso, esta profusão de sacos plásticos que fazem parte do seu dia a dia não poluem o ambiente? 
Não destroem o planeta? 
O único saco plástico que polui é a sacola plástica que você recebe dos supermercados? 
Aquelas mesmo que você recicla colocando seu lixo de casa. 
Aquelas que, se for civilizado, você usa para apanhar e descartar as cacas do seu cachorro. 
Aquelas mesmo que as grandes redes de supermercado querem parar de fornecer a você na hora das compras. 

E o que eles dizem? 

Que elas são as responsáveis pela poluição do nosso planeta. Por que só elas? 
Só o plástico com que elas são feitas poluem rios, destroem as matas, tornam nosso mundo menos habitável? 
Mas porque só elas? 
Quem disse? 

As grandes redes de supermercado. 

E quem ganha com isto? 
O planeta? 
Me engana que eu gosto. 

Além dos fabricantes de rolos de sacos de lixo, que também são feitos de plástico, quem mais ganha com a proibição das sacolas de plástico são as grandes redes de supermercado que, a partir de agora, em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo, não terão mais despesa alguma com o consumidor. 

Depois que ele pagar — e muito bem — os produtos que comprar o problema de levar os produtos para casa passa a ser só do consumidor. 

Como você vai levar seus produtos para sua casa? Problema seu. 
Até porque não são eles que vão entrar nos ônibus cheios, nos trens lotados, no metrô entupido, nas barcas sobrecarregadas, levando uma caixa de papelão. 

Uma mala sem alça. 
E ainda querem convencer você, pessoa de boa fé, que está ajudando na reconstrução do planeta. 
Não é meigo? 
Não. 
Acho cínico. 

E a parte deles? 
Bom, eles vendem a você sacolas retornáveis. 
E sabe o que acontece dentro delas? 

Se você não limpá-las, adequadamente, lavando com água e sabão, bactérias e fungos crescem dentro delas. 
Sabia também que o correto seria usar uma sacola para carnes, outra para vegetais e outra para produtos de limpeza? 
Sabia que elas não podem ser feitas de produto muito resistente, com muitas tramas? 
Porque as bactérias se entranham nos tecidos mais fortes com mais facilidade. 

E então? 
Mais tranquilos? 
Vai dar trabalho, ficará mais caro e você ainda acha mesmo que vai ajudar a salvar o planeta? 
Já existem sacolas de material que se deteriora em pouquíssimo tempo, por que os supermercados não adotaram essa alternativa? 

Por uma questão muito simples: L U C R O, não interessa a eles salvar nenhum planeta, interessa aumentar seus lucros e pegaram carona nessa mentira. 


Leda Nagle


Texto retirado no Jornal Gazeta Valeparaibana

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A gentileza no nosso dia a dia...


Será que a vida moderna dificulta relações com gentileza, ou é possível ser uma pessoa ocupada, sem abrir mão da delicadeza no trato com o outro? 

Buscamos cada vez mais a interatividade, por meio do avanço tecnológico e do desenvolvimento da civilização. Passamos o dia inteiro conectados a pessoas das mais variadas localidades. Somos capazes de estabelecer contato com praticamente todos os cantos do planeta, a hora que quisermos. 

Porém, as relações interpessoais próximas parecem cada vez mais superficiais. Seguindo por este caminho, da distância e indiferença, palavras como cortesia, empatia e amabilidade parecem mais além da nossa realidade, dia após dia. 

Afinal, será que a vida moderna dificulta relações com gentileza, ou é possível ser uma pessoa ocupada, sem abrir mão da delicadeza no trato com o outro? 

Como ser gentil enquanto enfrentamos o trânsito caótico das grandes cidades e o dia-a-dia tão cheio de tarefas e obrigações? 

São tantos os motivos que podemos facilmente nos convencer de que a falta de cuidado com o próximo não é nossa culpa, assim como a forma como somos tratados. 

Estamos acostumados a ver a agressividade exaltada, considerada um meio indispensável para o sucesso, é elogiado o homem forte, o executivo agressivo, duro e arrogante. Será que essas atitudes conquistam a confiança alheia e o sucesso duradouro? 

O que acabamos esquecendo é que, antes de tudo, o ato de ser gentil beneficia, mais do que a qualquer outro, a nós mesmos. Uma teoria publicada pelo professor Sam Bowles, do Instituto Santa F é ( E U A ) ,  chamada de “sobrevivência do mais gentil”, afirma que a espécie humana sobreviveu graças à gentileza. 

Segundo Bowles, os grupos altruístas cooperam e colaboram mais para o bem-estar do próximo e da comunidade, a fim de garantir a sobrevivência. Outro estudo, realizado pela professora Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, demonstrou também que a gentileza pode nos deixar mais felizes. 

Ela pediu a um grupo que praticasse atitudes gentis durante dez semanas, e verificou que a felicidade  aumentou consideravelmente no período do estudo. 

Gentileza significa uma boa educação emocional, aprendida e desenvolvida em todos os ambientes que convivemos. É o bom tratamento, uma qualidade ou caráter de alguém nobre, generoso, que ajuda a manter e fortalecer os laços entre as pessoas. 

As pesquisas nos mostram que ser gentil tem uma finalidade pessoal e coletiva, é a prova de que quando tomamos atitudes em prol do outro, automaticamente, e muitas vezes sem perceber, recebemos de volta o bem que fizemos. 

A teoria do professor Sam Bowles pode ser demonstrada por brigas no trânsito, por exemplo, em lugares com uma concentração grande de pessoas, onde vidas se perdem pela simples falta de compreensão com as atitudes alheias. 

Vivemos na defensiva, temendo que os outros possam nos machucar. Mas há diversas formas de se comprovar que atitudes mais solícitas e gentis só tendem a melhorar a qualidade de vida e as relações interpessoais. 

Sabemos, também, que só temos a ganhar quando privilegiamos a gentileza, ao invés da brutalidade e ignorância. A grande característica da gentileza é que ela está presente, na maioria das vezes, nas atitudes cotidianas e simples. 

Ouvir mais, por exemplo, ser paciente, justo e solidário, são atitudes simples, mas importantes para tornar-se uma pessoa mais próxima perante o outro. Estimular a amizade pode ser uma forma de se exercer a generosidade e a gentileza. 

O que nunca devemos nos esquecer é que o poder de modificar aquilo que nos cerca está dentro de nós, a parte mais importante do trabalho acontece no interior do nosso ser, purificando nossos corações. 

Somente nós mesmos transformaremos nossas vidas em existências mais dignas, plenas e verdadeiras. 

Da redação

Texto retirado do jornal: Gazeta Paraibana

terça-feira, 22 de maio de 2012

PAIS EDUCADORES


1) Atualizem -se e estudem com seus filhos. Estimulem-nos a ter seu horário de estudo em casa. A ter disciplina.

2) Perguntem sempre: o que vocês aprenderam na escola, hoje? Seu filho(a) vai ter que prestar atenção e cumprir com as tarefas escolares para responder, isto vai ajudá-los a não participarem de confusão.

3) Dê o exemplo. Mostrem como é legal ler e estudar. Leiam o que eles leem na escola.

4) Leiam para eles. Esse simples ato evitará a dificuldade de quem ainda está aprendendo a ler.

5) Descubram se seus filhos tem alguma dificuldade de relacionamento na escola. Incentivem- nos a ser simpáticos, fazer amigos, admirar seus professores, aprender a valorizar um profissional.

6) Vão a todas as reuniões de pais e mestres. Participem e dêem a sua opinião.

7) Informem -se sobre os problemas da escola: há professores que faltam demais?

8) Façam elogios sinceros e reconheçam o potencial de seu filho ou filha.

9) Jamais permitam que os filhos abandonem os estudos ou faltem às aulas sem precisar.

10) Acompanhem a ficha avaliativa dos filhos e comemorem os avanços! O importante é que eles se sintam valorizados.

11) Conversem com os dirigentes escolares e participem do Conselho Escolar.

12) Dar uma Educação de Qualidade, para cobrar uma educação de qualidade da escola, isto é papel dos pais.

Texto retirado no :Gazeta Valeparaibana

terça-feira, 15 de maio de 2012

RESPONSABILIDADE SOCIAL


Genha Auga - Jornalista MTB: 15.320


Emília sempre comentava nos intervalos para o café que sua maior alegria, seria ver o filho, Alfredo, entrar na faculdade. Um dia, chegou feliz com a notícia do sonho realizado, Alfredo entrou em uma faculdade particular e esperava ansiosamente pela barbárie do trote a que se submetem os alunos hoje em dia - “bullying” permitido. E assim foi...
Volta e meia, Emilia demonstrava sua preocupação com Alfredo. Percebia que o filho estava mais voltado às baladas e bebedeiras com a turma, emendava tantos feriados que aulas mesmo eram bem poucas. Embora preocupada, foi convencida pelo filho que era difícil essa vida de trabalhar e ficar debruçado nos livros – tinha que se divertir.
Os professores, Ah! Queriam ensinar e não conseguiam manter os alunos em sala de aula. Futuros ídolos que só queriam mesmo brilhar, brilhar!
Passados os quatro anos tão “penosos” para esses universitários, chegou finalmente o tão esperado dia da formatura. E lá estava Emilia às voltas com a comemoração. Contava para todos onde seria a festa; num lugar lindo, muitas luzes, músicas, muita alegria. Todos se formaram! Afinal, o que importava era o filho receber o tão esperado “canudo” - mesmo que com a mente vazia.
Durante esse tempo, não vi Alfredo levar uma vida dura de estudante universitário e sim Emília, trabalhando muito nesses anos todos para pagar a faculdade sempre tão cara e agora para dar um carro ao filho como prêmio pelo esforço. Afinal, como ele sempre dizia à mãe; estudar cansa, estressa.
Mediante este fato que nos dias atuais se repete, reflito sobre esse produto final que é o ensino, tão esvaziado de conhecimento, num país que galga a passos largos a escada da corrupção e atolado na ignorância; vejo um futuro ameaçador para nossa descendência.
Sim, isso mesmo, filhos e pais de universitários! Pois as consequências dessa educação que se expande por esse Brasil afora, será para todos nós, seremos destruídos por essa falta de responsabilidade social.
Mesmo que vocês, “Emilias e Alfredos”, não concordem!



sábado, 12 de maio de 2012

CERTO igual a ERRADO?

À primeira vista pode parecer um problema matemático, um paradoxo ou algo assim, mas trata-se, pura e simplesmente de uma maneira de exprimir aquilo que temos visto ultimamente, ou porque sai na mídia ou porque vivenciamos. 
Estamos inseridos numa sociedade que o bem é tido como mal, o certo como errado, valores morais como cerceamento de direitos. Parece-nos pura hipocrisia. Professores são chamados à fala para se explicarem porque exigem que os alunos façam sua lição de casa, diretores são investigados porque exigem que alunas ou alunos venham devidamente vestidos para a escola. 
De certa forma, escrevendo esse artigo, me vem à memória que o povo e consequentemente seus dirigentes, rezam a mesma cartilha, ou seja, fazemos aquilo que ambos queremos. 
O que dizer de uma sociedade que dá ibope para o programa BBB, famoso por apresentar casos onde a libidinagem e promiscuidade são os únicos fatores norteantes? 
Recentemente vimos na mídia o caso de uma Diretora de escola ter sido chamada às falas pela Secretaria de Educação paulista pelo simples fato de ter exigido que suas alunas viessem decentemente vestidas para as aulas. Já outra diretora, foi afastada da escola por cobrar o Estado que concluísse a reforma em sua escola, que já perdurava 3 anos. Incrível! 
O mais interessante é que tudo está na mídia. 
No caso da diretora afastada, para piorar a dirigente daquela diretoria não soube se explicar e também não permitiu vistas ao processo de afastamento da Diretora alegando que o mesmo é confidencial. Houve até uma sessão pública a qual ela não compareceu, ou seja, desmandos, pouco caso, inescrupolosidade. A Secretaria de Educação perde seu precioso tempo com casos que não são problemas, enquanto arruma mais problemas criando casos. Isso é apenas a ponta do iceberg, pois o tamanho da coisa é bem maior. Tão recente quanto aos fatos acima, temos um outro em que uma mãe vem se debatendo entre e-mails para Ouvidoria e, não tendo sido aceitas em suas propostas, enviou e-mail para a própria Secretaria de Educação e, recentemente enviou um e-mail para a Corregedoria. 
Ela simplesmente quer que uma Diretora da escola se retrate, simplesmente porque seu filho foi advertido por ter entrado no banheiro das professoras, detalhe é que seu filho nem estuda mais naquela escola. 
Repetimos: A Secretaria de Educação e a Ouvidoria perdem tempo com isso tendo tantos outros problemas mais urgentes para serem tratados. Não bastasse o dia a dia de professores, funcionários e diretores ainda se perde tempo em responder à essas demandas as quais chamamos de “non sense”,pois consideramos realmente sem sentido uma Secretaria de Estado, no caso da Educação preocupar-se com demandas na esfera regimental da escola, ou permitir que seus Dirigentes se imponham autoritariamente sem explicações convincentes. 
Será que os senhores burocratas da educação não conhecem o regimento interno de uma escola? 
Regimento este que, aliás, foi aprovado por uma Diretoria de Ensino?
Será que os senhores burocratas da educação querem mostrar, aos olhos daqueles pais, que provavelmente, acham que seus filhos e filhas que ir à uma escola para mostrar seus dotes físicos seria o correto? 
Custa-nos crer nisso. Mas, voltando ao pensamento anterior onde o BBB é um dos programas mais vistos na televisão brasileira, não fica tão difícil assim acreditar nisso. 
Vivemos uma triste inversão de valores de uma sociedade onde a justiça não mantém o bandido preso, onde a polícia que deveria proteger o cidadão, só o faz quando se vê suas entranhas fétidas ficarem à mostra, onde políticos eleitos pelo povo, inclusive professores, pleiteiam manter os salários desses mesmos professores que os elegeram num patamar de quase miséria, haja visto que não querem aplicar a lei do piso.
Não que a lei do piso resolva em definitivo o problema salarial do professor, mas ao menos minimiza. Esquecem-se os políticos de que, se sabem ler, escrever, fazer contas, aquelas contas de somar que usam para somar aos seus polpudos salários, inúmeras gratificações e verbas de todos os naipes, esquecem que foram os professores que deram à eles ferramentas para progredirem e agora se voltam contra nós, e nesse momento sentimos o arrependimento de tê-los ensinados. 
Fica quase claro e notório aos nossos olhos, que exigir dos Diretores de escola, professores e funcionários que peçam desculpas aos pais por tentarem dar aos seus filhos aquela educação que, infelizmente, eles pais, não estão dando é algo surreal. Torna-se ainda óbvio que, num ano político, eles, nossos burocratas da educação, escolhidos por concordarem com a política educacional de um partido ou outro, preocupados com seus traseiros gordos e achatados de tanto ficarem sentados numa confortável cadeira de escritório, estejam de fato preocupados. 
Não com os pais, ou com a educação no Estado, mas sim preocupados em manterem suas posições confortáveis dentro de um escritório com ar condicionado, longe do ambiente escolar, onde os problemas pululam. 
Sob o pretexto de não ser exigido uniformes nas escolas estaduais de São Paulo, pais permitem que seus filhos venham à escola como se fossem vestidos para uma balada ou para um evento qualquer. 
É bem verdade que ser trata, talvez de uma minoria, mas que se vale de “direitos” ou daquilo que lhe interessa na lei para se desobrigarem da educação dos filhos sem perceberem do mal que estão causando aos filhos, mas como diz o ditado – Cada cabeça uma sentença.
Seria uma reedição, nesse caso, da famosa história do Médico e o monstro? 
Será que, nós professores, deveríamos ser mais permissíveis, fazermos vistas grossas? 
Como diriam os alunos: - Deixar rolar? Não sei.
Mas, com certeza, é desgastante, estressante mesmo, ver essa inversão de valores onde o certo é tido como errado. Onde os professores são colocados contra a parede, tendo como seus algozes os próprios pais. 
Triste fim, e não é de Policarpo Quaresma que estou falando, mas o fim de uma nação que tendo dormido em berço esplêndido por tanto tempo, acorda agora para a realidade nua e crua de uma sociedade acostumada ao paternalismo dos governos e suas corriolas que para se manterem no poder são capazes de devorarem a própria perna. 

Omar de Camargo
Técnico Químico Professor em Química
Pós-Graduado em Química
omacam@professor.sp.gov.br

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo.
Professor de Geografia na Secretaria de Estado da Educação de São Paulo.
Professor do curso de Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo.
Palestrante e consultor nas áreas de Meio Ambiente e Educação.
icguedes@professor.sp.gov.br

quinta-feira, 10 de maio de 2012

SEMENTE DO FUTURO

Genha Auga – Jornalista MTB 15.320
       


Mostre a sementinha para uma criança e explique sua função...

Certamente ela a colocará na terra e com encantamento a verá brotar, cuidará dela, acompanhará seu crescimento, aproveitará sua colheita, entenderá o que representa essa pequena vida e sua importância para o desenvolvimento do ser humano.
Explique-lhe sobre o lixo e ela dará o destino certo a ele separando-o adequadamente.
Mostre maneiras simples de viver a vida e, naturalmente, excluirá os shoppings, televisão, computadores do confinamento tecnológico e consumista a que está submetida.
Leia junto todos os dias com a criança e ela gostará de poesias, se distrairá com histórias e não com supérfluos. Ensine-a comer e sentirá, com prazer, o sabor da comida.
Deixe-a ter vida de criança e se tornará um adulto consciente e responsável. Sem infância, será “criança grande”, exigente, carente, insegura e os pais, geralmente ausentes, indiretamente, a tornará vulnerável aos apelos avassaladores da vida.
Os adultos querem salvar a Terra dos males que causaram a ela, mas são escravos do próprio corpo e do que tem. Querem viver cada vez mais, porém, não sabem o que fazer com seu próprio lixo, não se respeitam e não tem limites. Vivem discursando que não fazem nada de mau, mas não conseguem fazer o bem.
É necessário treinar o olhar para desenhar o futuro de uma criança e ela poderá contribuir para a preservação da natureza.  Aprendendo, ela será o exemplo e cobrará atitudes dos seus governantes e de seus pais.
Precisamos de uma nova geração, que cause impactos, mostrando caminhos para a prática de medidas satisfatórias e que resultem em mudanças que assegurem a preservação do meio ambiente. Dê a criança doses de atitudes ao longo da vida e irão tirar da caldeira nossa fauna e flora e a esperança se renovará a cada dia.
Mudando hábitos, encerraremos esse ciclo que é uma máquina de moer gente, pois a Terra, ao contrário do homem, não morre, recupera-se. Essa é nossa esperança para acabar com a “política hipócrita” que tenta impedir o verdadeiro equilíbrio da natureza com atitudes imediatistas que visam apenas o lucro, sem medir consequências.
Hoje, a humanidade está tomada pelo medo do que vem pela frente.
O futuro, minha gente, é para se esperar e não para se temer.

domingo, 6 de maio de 2012

Bibliotecas !!!


Pegar um livro e abri-lo guarda a possibilidade do fato estético.
O que são as palavras dormindo num livro?
O que são esses símbolos mortos? Nada, absolutamente.
O que é um livro se não o abrimos?
Simplesmente um cubo de papel e couro, com folhas; mas se o lemos acontece algo especial, creio que muda a cada vez.


Jorge Luís Borges


Pensar sobre a importância da biblioteca escolar hoje para o processo de ensino-aprendizagem constitui repensar a própria prática de leitura na escola. Isso porque sabe-se que a biblioteca guarda os mais diversos tipos de livros e que, teoricamente, estão todos à disposição do aluno sempre quando precisar. No entanto, não é isso que de fato acontece. No cotidiano escolar, percebemos a pouca (ou nenhuma) utilização da biblioteca como espaço educativo e informacional que promove leituras, análises, debates e encontros entre livros e indivíduos. A biblioteca, não raras vezes, é palco de punições. Basta um aluno atrapalhar a aula de um professor que logo é enviado, sem aviso prévio, à biblioteca ou à sala de leitura. Por isso, é de suma importância que repensemos o papel da biblioteca dentro da escola e sua significação. 

Antes de qualquer proposta que leve os educandos a frequentar a biblioteca escolar, é preciso pensar nos principais problemas que dificultam essa prática. São eles: 

1º) O espaço físico - não raras vezes a biblioteca fica num canto escondido da escola. Um local pouco arejado, úmido, mal-iluminado, desconfortável e apertado. Para agravar a situação, muitas escolas dissociam a sala de leitura da biblioteca, apresentando-as como lugares distintos, quando deveriam estar num único espaço. Nesse sentido, a biblioteca em si não passa de um "depósito de livros". 

2º) O acervo - geralmente desatualizado; os livros que se encontram na biblioteca diversas vezes estão em péssimas condições de uso. Muitos são doados pelos próprios professores que, querendo se livrar do "entulho", depositam-nos como doação. A falta de recursos para a compra de livros de qualidade contribui para a estagnação e o empobrecimento do acervo. 

3º) Organização do acervo - a catalogação do acervo acontece de forma confusa, desorganizada e difícil. O sistema de números e letras dificulta o acesso ao objeto de pesquisa não só para o usuário como para o próprio profissional da biblioteca. Um catálogo mal-organizado e com classificação obscura colabora para a falta de interesse dos usuários pela biblioteca. A verdade é que muitas bibliotecas nem têm seu acervo arquivado de forma que permita a pesquisa dos usuários. Algumas escolas anotam seu acervo num velho caderno que só pode ser consultado pelo próprio funcionário da biblioteca para procurar o material solicitado. Dessa forma, o material não pode ser manuseado pelos usuários. Ou seja: não é permitido fazer descobertas no acervo. 

4º) Empréstimo de material - algumas bibliotecas não adotam o sistema de empréstimo, permitindo apenas a consulta do material no local. Alegam que os alunos danificam os livros, arrancam folhas, rabiscam, demoram a devolver ou não devolvem o material. Por conta disso, não ocorre o sistema de cadastro e empréstimo de material do acervo. 

5º) Horário de funcionamento - deparar-se com a biblioteca trancada não é pouco comum. O horário de funcionamento nem sempre condiz com os horários que professores e alunos podem e desejam utilizá-la. O fato é que o horário da biblioteca fica a cargo do horário da pessoa que lá trabalha. 

6º) Profissional encarregado da biblioteca - infelizmente o que se vê são muitos professores em fim de carreira ou com problemas de saúde encostados nela. Assim, na biblioteca encontram-se muitos profissionais que precisam de um lugar tranquilo, silencioso e vazio para passar os últimos dias, meses ou anos de suas vidas profissionais. Por isso, esses educadores preferem manter a ordem, o silêncio sepulcral e a disciplina no local. O pouco ou nenhum contato com o usuário é, assim, almejado; quando acontece, é frio, técnico e monossilábico. Às vezes, é adotado um sistema de empréstimo no qual o usuário solicita o livro por meio de um envelope. No dia seguinte ao pedido, o bibliotecário, em vez de orientar o consulente, deposita o pedido no mesmo pacote para que o usuário receba sua encomenda. A relação usuário-bibliotecário, nesse sentido, acontece também de forma impessoal. Outro ponto importante a se ressaltar é a condição desse profissional: não-leitor e não-incentivador da prática da leitura no local. 

7º) Utilização da biblioteca escolar - é válido atentar para a falta de planejamento pedagógico, de projeto que integre a biblioteca ao projeto político-pedagógico da escola. Muitas vezes os usuários reduzem-se a alunos que vão ao local tão-somente para copiar verbetes de grandes enciclopédias e dicionários antigos e empoeirados. Quando a pesquisa na biblioteca não tem como base a cópia, o lugar é mal-utilizado, servindo como local de descanso ou conversa de alunos ou, o que é pior, como espaço de punição. 

Alguns professores exigem que os alunos que não estão em sala de aula sejam castigados na biblioteca. Essa postura contribui para fazer da biblioteca a grande vilã da escola. 

Direitos imprescritíveis do leitor 

Também devem ser considerados os direitos do leitor, que, segundo Daniel Pennac, são os seguintes: 

1) O direito de não ler. 
2) O direito de pular páginas. 
3) O direito de não terminar um livro. 
4) O direito de reler. 
5) O direito de ler qualquer coisa. 
6) O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível). 
7) O direito de ler em qualquer lugar. 
8) O direito de ler uma frase aqui e outra ali. 
9) O direito de ler em voz alta. 
10) O direito de calar. 

Assim, são imprescindíveis atividades como contação de histórias, rodas de leitura, cirandas, concursos de poesias, contos e crônicas, encontros com escritores, ilustradores e especialistas em literatura. É importante também levar os alunos a visitar bibliotecas públicas e livrarias. Isso possibilita a reflexão acerca da organização do acervo, da multiplicidade de autores e estilos e do zelo pelo material da biblioteca, bem como a conduta de liberdade e respeito dentro dela. 
 
Liberdade para fazer encontros entre leitores e livros, gostos e desgostos. Respeito, traduzido em cuidado, com os livros e com o espaço da biblioteca, a fim de deslegitimar questões como o empréstimo de livros. 

Da redação

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os Abandonos das Escolas Públicas


Escola Mun. Sebrão sobrinho
Povoado Mundo Novo
Itabaiana - Sergipe
Sempre estamos acostumados ouvir falar do abandono das Escolas Públicas pelo Poder Público. Analisando as críticas parei para observar e notei que não existe uma estatística de quantas escolas existem abandonadas (se existem não são divulgadas) e os motivos por que tais fatos ocorrem. E o mais interessante é que este abandono nem sempre parte do poder público, existe uma parcela de colaboração e cumplicidade dos moradores e usuários destas escolas. 

Como eram as Escolas Públicas

O que vou descriminar aqui é a minha experiência de vida, ocorrida no Estado de Sergipe e não uma pesquisa científica efetuada para tal.

Na década de sessenta as escolas, principalmente da Zona Rural, eram geralmente escolas com duas salas de aula e que normalmente só funcionava uma sala de aula. Era raro o funcionamento destas escolas com duas salas de aulas

Já nas áreas urbanas, as escolas já tinham uma estrutura semelhante ao que conhecemos hoje, tinham várias salas de aulas, diretoria e geralmente mais de um professor/a. 

A distribuição dos alunos nas escolas urbanas eram feitas por séries, idade e sexo. Já nas escolas Rurais não existiam essa distribuição, até por que os alunos ficavam todos em uma única sala e com uma única professora. 

Uma particularidade da época era como os professores eram contratados (ainda não existia a figura do Concurso Público). Os professores eram contratados por convite ou indicação política e não existam aquela obrigação de se contratar professores formados em Licenciaturas especificas de cada área. Era comum se chamar um engenheiro na cidade para ser professor de matemática, um advogado para ser professor de Português, etc. Nas escolas rurais os professores eram pessoas que moravam próximas as escolas e que possuíam pelo menos o primário. Quando não existia alguém na comunidade, em condições de ser professor, era comum se contratar alguém na cidade mais próxima e era levada de carro, todos os dias letivos, até essas escolas. 

Nesta época, as escolas classificavam os alunos nos seguintes graus de estudo: primário , ginasial, científico ou acadêmico e ensino superior (Universidade). 

Para o aluno sair do primário e ir para o Ginasial era necessário se fazer o “Concurso de Admissão” (que hoje já não existe mais) e para o aluno entrar na universidade era necessário prestar o “Concurso do Vestibular (que existe até os dias de hoje)".Tanto o Concurso de Admissão e o Concurso do Vestibular era uma avaliação feita em uma prova escrita com todo o conteúdo dos anos de estudos nas séries anteriores. 

Extinção do Concurso de Admissão nas Escolas Públicas 

Um dos marcos que trouxe uma mudança radical, em relação a importância das Escolas Públicas, foi a extinção do chamado "Concurso de Admissão". Depois que os alunos, do chamado “Ensino primário”, não precisaram mais prestar o Concurso de Admissão para ingressar no Ensino Ginasial, passou a ocorrer um fato interessante, a classe média começou a retirar seus filhos das Escolas Públicas (que até então eram tidas como as melhores) e passaram a colocarem, os filhos, nas Escolas Particulares. Isso fez com que de uma certa maneira os administradores públicos perdessem o interesse de valorizar as escolas públicas. Não se esqueçam que os alunos de classe médias que estudavam nas escolas públicas eram filhos destes mesmos administradores. 

Nesta observação, notei que essas escolas são abandonadas seguindo padrões em várias localidades. Neste padrões é fácil notar a influência de ganho ou perda de poder econômico da população que provoca movimentos populacionais e algumas mudança de hábitos. 

Os tipos de abandonos

Geralmente as escolas são abandonadas ou mantidas de maneira deficiente por descaso dos chamados Administradores Públicos, mas existem muitos casos que os abandonos ocorrem por perda de importância das escolas nas localidades em que estão inseridas. Com o decorrer do tempo, as populações localizadas em torno destas escolas perdem ou ganham poder econômico e quando não, as localidades onde estão inseridas, estas populações, mudam o status em relação as localidades mais próximas (esse fato ocorre mais nas áreas urbanas). 

Perda de importância da escola naquela localidade. 

Desde a década de 1970, as áreas Rurais estão perdendo contingentes populacionais que estão se deslocando para viverem nas cidades (Êxodo Rural), geralmente a procura de melhores serviços de saúde, educação e também a procura de trabalho. Essa movimentação faz diminuir a quantidade de matriculas ou mesmo inexistirem a presença de crianças, na Área Rural, na idade escolar. Com a grande diminuição nas matriculas, nestas escolas, fica menos dispendioso transportar estas crianças para a sede do município com o uso do chamado transporte escolar. 

Nas cidades é comum os bairros mais antigos serem ocupados por atividades comerciais e prestação de serviços. Os moradores desses antigos bairros residenciais, geralmente vendem seus imóveis a empresas e procuram ir residir em outros bairros. Isso faz com que a perda e inexistência das matriculas ocorram em muitas escolas localizadas neste bairros. Neste caso há uma perda de matriculas das escolas localizadas nos bairros próximos aos centros comerciais e aumento de matriculas nos bairros mais periféricos, ou seja, ocorre um deslocamentos de matriculas na Rede Pública. 

Mudança de poder aquisitivo da população

Depois que eliminaram a Prova de Admissão, a classe média passou a valorizar mais as Escolas Particulares e muitas escolas localizadas em bairros onde grande parte da população melhorou o poder aquisitivo, houve uma grande perda de matrículas. Isso vem ocorrendo muitos nestes conjuntos habitacionais construídos pelo governo. Nos últimos dez anos, em muitos desses bairros houve uma melhoria salarial e essa nova classe média absorveu os valores culturais da classe média já existente, ou seja, a valorização das escolas particulares em detrimento das escolas públicas. Muitas destas escolas, localizadas nestes conjuntos habitacionais, estão sendo utilizadas por alunos de bairros periféricos vizinhos. O correto seria a construção das escolas nos bairros periféricos para evitar o transporte e movimentação dessa grande massa de alunos, só que o governo por questões de economia, na construção de novas escolas, prefere gastar com transporte! 

As escolas totalmente abandonadas


EM. Agsotinho J. Caetano
Povoado Taperinha
Itabaiana - Sergipe
Muitas destas escolas sofrem um grande processo de mudança estrutural na ofertas de cursos, tem o objetivo de sua existência mudando, passando a se tornar escolas de Ensino profissionalizante ou mesmo são transformadas em Centros (ou escolas) de Excelências com regime integral. Mas, as escolas totalmente abandonadas (ocorrem mais nas Zonas Rurais) são geralmente depredadas pela população local, quando se deveria dar um novo destino ao Patrimônio Público. Muitas dessas escolas poderiam ser transformadas em postos de saúde ou mesmo centros comunitários, principalmente as localizadas nas Zonas Rurais (os chamados povoados).

Texto: Antônio Carlos Vieira - Professor de Geografia
Fotos de Abércio Filho - Professor de História


Texto publicado na : Gazeta Valeparaibana

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