sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Professores rejeitam nomeação de Cláudia Costin para o MEC

publicado em 22 de novembro de 2012 às 23:40

Aloizio Mercadante chamou Cláudia para dirigir a Secretaria de Educação Básica do MEC. Fotos: Agência Brasil

Apesar de muito criticada por sua visão neoliberal e privatizante, a atual secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, foi convidada pelo ministro Aloizio Mercadante para assumir a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

Importantes setores da Pedagogia no País estão profundamente preocupados com a nomeação de Costin, que foi ministra da Administração no governo Fernando Henrique Cardoso, esteve ligada ao desmonte do Estado brasileiro, além de ter sido diretora da Fundação Victor Civita, do Grupo Abril/Veja.

Por isso, pesquisadores, professores, estudantes e suas entidades representativas lançaram o abaixo-assinado Cláudia Costim, não! Ele é destinado ao ministro Mercadante, aos Sindicatos da Educação, Escolas Municipais, Estaduais e Federais, Universidades Públicas, Entidades Acadêmicas. Segue o texto do manifesto, que já tem mais de 3 mil assinaturas.

CLÁUDIA COSTIN, NÃO!

A privatização do ensino público, a fragmentação do trabalho docente, a perda da autonomia dos professores, a submissão estrita aos cânones neoliberais têm sido implementados por Cláudia Costin à frente da Secretaria Municipal da Educação na cidade do Rio de Janeiro.

Seu autoritarismo didático e de conteúdos, prescritos em cadernos e apostilas, emanado das orientações dos organismos internacionais ampliam o abandono da educação básica da grande maioria da população, historicamente relegada à carência de escolas e, mais recentemente, à desqualificação da educação nas escolas existentes. Além disso, no Rio de Janeiro, professores, gestores e funcionários têm sido alvo de aliciação pecuniária, os bônus financeiros, através de remuneração extraordinária pelo desempenho dos alunos, traduzido em um percentual de aprovação de alunos nas turmas e no conjunto da unidade escolar, como compensação aos baixos salários.

Não por caso, quando Ministra da Administração Federal e Reforma do Estado no governo FHC, foi uma das responsáveis pela idealização e implementação do desmonte do Estado, incluindo-se aí as privatizações ou a venda do país e a quebra da estabilidade dos servidores públicos.

Se confirmada Cláudia Costin à frente da Secretaria de Educação Básica, é esperada a descaracterização da educação fundamental e média com o apagamento do professor e do aluno como sujeitos históricos. Costin faz parte de um grupo de intelectuais que seguem a férrea doutrina do mercado, onde tudo vira capital, inclusive as pessoas. Não mais educação básica, direito social e subjetivo, mas escola fábrica de capital humano. Uma versão bastarda do ideário republicano de escola, como a define Luiz Gonzaga Belluzzo, em brilhante texto na Carta Capital de 29.08.2012. Esta visão bastarda de educação objetiva apagar qualquer senso crítico dos alunos. Trata-se de transformar, para Belluzzo, recorrendo a Marshall Berman, a ação humana em repetições rançosas de papéis pré-fabricados, reduzindo os homens a indivíduos médios, reproduções de tipos ideais que incorporam todos os traços e qualidades de que se nutrem as comunidades ilusórias.

Delegar à administradora esse setor vital da educação brasileira é declinar de todos os embates e propostas da educação, em contraponto às políticas neoliberais dos anos 1990.

Professores, pesquisadores, estudantes e suas entidades representativas vêm publicamente, protestar contra o arbítrio economicista, degradante e mutilador para a educação das gerações de jovens da educação básica que sua presença na SEB traria à educação básica, não apenas na cidade do Rio de Janeiro, mas em todo Brasil. Cláudia Costin, NÂO!

Texto coletivo dos abaixo-assinados:

Dermeval Saviani –Unicamp

Mirian Jorge Warde – PUC-SP

Roberto Leher – UFRJ

Gaudêncio Frigotto – UERJ

Virginia Fontes – UFF/Fiocruz

Maria Ciavatta – UFF

Dante Henrique Moura – IFRN

Vânia Cardoso Motta – UFRJ

Eveline Algebaile – UERJ

Domingos Leite Filho –UTPr

Sônia Maria Rummert – UFF

Marise Ramos –UERJ e FIOCRUZ

Olinda Evangelista – UFSC

Domingos Leite Filho – UTPr

Laura Fonseca – UFRGS

Carmen Sylvia Morais - USP

Sônia Kruppa – USP

Para assinar o abaixo-assinado, clique aqui.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O que falta na educação ?

Nossas crianças do fundamental 

Dois terços das crianças matriculadas no 3° ano do ensino fundamental da rede pública não dominam o básico da matemática, ou seja, não sabem fazer operações simples de somar e subtrair. 

Já entre os alunos de escolas particulares, três quartos sabem o mínimo esperado de matemática. Estes dados sobressaíram da divulgação nesta quinta-feira, 25, do resultado da Prova ABC, que avaliou 6 mil alunos de 250 escolas públicas e privadas das capitais do país. 

Apenas um terço (32,58%) dos alunos da rede pública alcançou o índice que reflete o conhecimento esperado dos alunos do terceiro ano (crianças com idades por volta dos oito anos) segundo escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Por outro lado, 74,30% dos alunos da rede privada alcançaram o índice, mais que o dobro dos alunos da rede pública. 

Até cerca de 1860, não existia diferenciação de sapatos para pés esquerdo e direito. Os sapatos eram simétricos, ainda que, em todas as pessoas, os pés direito e esquerdo sejam diferentes entre si. Cabia aos pés do freguês “deformar” os sapatos para adaptá-los ao formato dos pés. Por isso as pessoas tinham tantos calos. Eram muitas batalhas diárias de pés macios contra couros duros. 

Em 2011, a educação brasileira está mais ou menos no mesmo estágio em que estava a indústria de sapatos até 1860. Não importam as preferências, pendores ou interesses dos alunos. Todos têm que estudar as mesmas coisas: basicamente matemática, língua, história e geografia. 

Daí para adiante ensina-se a mais, não o que os alunos desejam aprender, mas todos os tipos de matérias que os educatecas do Ministério da Educação (ou das secretarias estaduais de educação), que controlam a educação brasileira por teleguiado, desejam que eles aprendam. 

Além disso, em nome da participação social e da correção política, adicionam-se todos os tipos de matérias que interessam a grupos militantes de várias causas políticas, ideológicas, sociais ou que estão na moda, desde que os respectivos lobbies ou grupos de pressão tenham capacidade de influir sobre as autoridades para criar mais matéria inútil para as crianças, adolescentes e adultos. 

Não é de admirar, portanto, que os alunos saiam calejados e, de maneira geral incapazes de fazer o que gostam, ou o que o mercado demanda porque foram educados de acordo com critérios que não levam em conta nem os gostos pessoais nem as demandas do mercado. 

Conclusões, várias: 

1. Muita gente infeliz. 
2. Muita gente com dificuldade de arranjar empregos. 
3. Um excesso de informações sobre história de coisas que pouco interessam a qualquer pessoa, fórmulas que poucos sabem como e em que aplicar, leis de física e química que não levam ninguém a conseguir fazer nada de prático com elas, pois foram quase todas ensinadas fora de qualquer contexto. 

Assim, muita gente sabe calcular tensão superficial, mas não tem a menor noção de para que serve isso. 

A verdadeira educação profissional só começa na faculdade e, novamente, é definida por um conluio entre educatecas governamentais e lobistas de grupos de interesse que determinam o que deve ser ensinado a quem estiver interessado em exercer, direito, engenharia, arquitetura, meio ambiente, medicina, etc., para que possam tornar-se membros das ordens e conselhos, pagar anuidades e ter o direito de ganhar o dinheiro. 

Enquanto isso, os bem sucedidos (e viva eles) conseguem sucesso como empresários batendo com a cabeça na parede porque nada lhes foi ensinado sobre isso, fazendo sucesso como líderes de grifes, designers, conjuntos de musicais, atores, jogadores de futebol ou palhaços. 

Notem que todas as pessoas que ganham dinheiro com estas coisas citadas como exemplos no parágrafo anterior fizeram-no graças a uma habilidade inata ou preferida, seja como autodidatas, seja aprendendo seus ofícios fora das escolas que fazem parte dos sistemas formais de educação, que são, em boa parte, financiados com o dinheiro dos cidadãos que pagam impostos ou com mensalidades pagas pelos pais iludidos, para que seus filhos ganhem um diploma, ainda que aprendam, na realidade, muito pouca coisa útil na vida. 

Alguns exemplos para que pensemos um pouco se já não está na hora de derrubar os educatecas e cuidar de uma educação que combine a felicidade do educado com um pouco de criatividade socialmente útil. 

P.S. – Se somarmos todas as horas desperdiçadas tentando ensinar matemática, geometria, álgebra, física e química a um discalcúlico como eu, e tivessem deixado que eu gastasse mais do meu tempo lendo o que me interessava, estou seguro que seria uma pessoa muito mais feliz. Nada do pouco que aprendi de matemática, além de conversões de medidas e moedas (sétima série), me serviu de nada na vida. Nunca. Não contribuiu, nem para o meu sucesso, nem para a minha felicidade, tampouco contribuiu para a felicidade coletiva, como tenho certeza que fizeram Romário e Tiririca, jogando futebol e fazendo-nos rir. 

Anônimo - Via 3º. Setor

Texto retirado do jornal GAZETA VALE PARAIBANA - página 10

sábado, 10 de novembro de 2012

“A luta pelos royalties do petróleo não acabou”, diz Mercadante

Em cerimônia no Palácio do Planalto, o ministro da Educação disse que a luta pela destinação integral dos royalties para a educação ainda não acabou. Ele ressaltou que o petróleo é uma riqueza não renovável, a que as futuras gerações não terão acesso. “O melhor legado que podemos deixar é um país plenamente educado, com professores bem pagos, com a valorização da docência, escola de primeira qualidade”, defendeu.

NAJLA PASSOS

Brasília - O ministro da Educação, Aloisio Mercadante, disse nesta quinta (8), durante o lançamento do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, no Palácio do Planalto, que a luta pela destinação integral dos recursos provenientes da exploração do petróleo para a educação ainda não acabou. “Nós vamos agora, junto ao Senado Federal, continuar lutando para que os royalties sejam destinados à educação brasileira”, afirmou.

De acordo com ele, a estratégia será acrescentar uma cláusula ao texto do Plano Nacional de Educação (PNE), que assegure o carimbo dos recursos. “A Câmara dos Deputados votou o PNE por unanimidade e estabeleceu que, em 10 anos, nós deveríamos dobrar os investimentos em educação, chegando a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Mas, até o momento, não temos uma fonte nova de financiamento capaz de sustentar essa meta ambiciosa”, justificou.


Há dois dias, a mesma Câmara aprovou, um novo modelo de redivisão dos royalties do petróleo, de autoria do senador Vital do Rego (PMDB-PB), que libera a aplicação dos recursos para áreas diversas. A medida desagradou ao governo que, por determinação da presidenta Dilma Rousseff, defendia a destinação integral dos royalties à educação.

Segundo o ministro, é impensável, na atual conjuntura brasileira, aumentar impostos ou cortar recursos de outras áreas - como saúde, segurança e investimentos - para financiar sua pasta. “É por isso que eu tenho muito orgulho de pertencer ao governo de uma presidenta que tomou a decisão histórica de financiar a educação a partir de uma riqueza nova que estamos descobrindo”, justificou.

Ele ressaltou que o petróleo é uma riqueza não renovável, a que as futuras gerações não terão acesso. “O melhor legado que podemos deixar é um país plenamente educado, com professores bem pagos, com a valorização da docência, escola de primeira qualidade”, defendeu. Mercadante reconheceu que o caminho para se construir um país mais justo e desenvolvido exigirá um compromisso de se aumentar os investimentos em educação. 

Em coletiva à imprensa, a presidenta Dilma afirmou que ainda não decidiu se irá ou não sancionar o projeto aprovado pelo Congresso. Segundo ela, assim que recebido, o texto será exaustivamente analisado por sua equipe. Só depois, a presidenta se pronunciará. “Eu seria uma pessoa leviana se, sem recebê-la, eu falasse sobre ela”, resumiu. 

Texto retirado: CARTA MAIOR

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Lúdico e a educação

O que é lúdico? 

O lúdico tem sua origem na palavra "ludus" que quer dizer jogo, a palavra evoluiu levando em consideração as pesquisas em psicomotricidade, de modo que deixou de ser considerado apenas o sentido de jogo. O lúdico faz parte da atividade humana e caracteriza-se por ser espontâneo, funcional e satisfatório. 

Na atividade lúdica não importa somente o resultado, mas a ação, o movimento vivenciado. 

"O papel do lúdico na atividade pedagógica" 

A maioria das escolas tem didatizado a atividade lúdica das crianças restringindo-as a exercícios repetidos de discriminação viso-motora e auditiva, através do uso de brinquedos, desenhos coloridos, músicas ritmadas. Ao fazer isso, ao mesmo tempo em que bloqueia a organização independente das crianças para a brincadeira, essas práticas pré- escolares, através do trabalho lúdico didatizado, enfatizam os alunos, como se sua ação simbólica servisse apenas para exercitar e facilitar para o professor , a transmissão de determinada visão do mundo, definida a priori pela escola. 

“É fundamental que se assegure à criança o tempo e os espaços para que o caráter lúdico do lazer seja vivenciado com intensidade capaz de formar a base sólida para a criatividade e a participação cultural e, sobretudo para o exercício do prazer de viver, e viver, como diz a canção... como se fora brincadeira de roda...” 

É papel da educação formar pessoas criticas e criativas, que criem, inventem, descubra, que sejam capazes de construir conhecimento. Não devendo aceitar simplesmente o que os outros já fizeram, aceitando tudo o 
que lhe é oferecido. Daí a importância de se ter alunos que sejam ativos, que cedo aprendem a descobrir, adotando assim uma atitude mais de iniciativa do que de expectativa. 

Considera-se função da educação infantil promover o desenvolvimento global da criança; para tanto é preciso considerar os conhecimentos que ela já possui, proporcionar a criança vivenciar seu mundo, explorando, respeitando e reconstruindo. Nesse sentido a educação infantil deve trabalhar a criança, tomando como ponto de partida que está é um ser com características individuais e que precisa de estímulos, para crescer criativa, inventiva e acima de tudo crítica. 

Quando o aluno chega a escola traz consigo uma gama de conhecimento oriundo da própria atividade lúdica. A escola, porém, não aproveita esses conhecimentos, criando uma separação entre a realidade vivida por ela na escola e seus conhecimentos. 

A escola agindo desta forma estará comprometendo a própria espontaneidade da criança, que não se sentirá tão a vontade em sala de aula a ponto de deixar fluir naturalmente sua imaginação e emoção. 

A ação de brincar, segundo ALMEIDA (1994) é algo natural na criança e por não ser uma atividade sistematizada e estruturada, acaba sendo a própria expressão de vida da criança. RIZZI e HAYDT convergem para a mesma perspectiva quando afirmam: “O brincar corresponde a um impulso da criança, e este sentido, satisfaz uma necessidade interior, pois, o ser humano apresenta uma tendência lúdica” (1987 p. 14).

O lúdico aplicado à prática pedagógica não apenas contribui para a aprendizagem da criança, como possibilita ao educador tornar suas aulas mais dinâmicas e prazerosas. CUNHA (1994), ressalta que a brincadeira oferece uma “situação de aprendizagem delicada”, isto é, o educador precisa ser capaz de respeitar e nutrir o interesse da criança, dando-lhe possibilidades para que envolva em seu processo, ou do contrário perde-se a riqueza que o lúdico representa. 

Neste sentido é responsabilidade do educador, na educação infantil, ajudar a criança a ampliar de fato, as suas possibilidades de ação. Proporcionando à criança brincadeiras que possam contribuir para o seu desenvolvimento psicossocial e consequentemente para a sua educação. 

O lúdico enquanto recurso pedagógico deve ser encarado de forma séria e usado de maneira correta, pois como afirma ALMEIDA (1994), o sentido real, verdadeiro, funcional da educação lúdica estará garantida, se o educador estiver preparado para realizá-lo. Sendo que o papel do educador é, intervir de forma adequada, deixando que o aluno adquira conhecimentos e habilidade; suas atividades visam sempre um resultado, e uma ação dirigida para a busca d finalidades pedagógicas. 

A educadora FERREIRO (19890, já apontava para a importância de se oferecer a criança ambientes agradáveis onde se sinta bem e a vontade, pois a criança deverá se sentir como integrante do meio em que está inserida. 

Conceber o lúdico como atividade apenas de prazer e diversão, negando seu caráter educativo é uma concepção ingênua e sem fundamento. A educação lúdica é uma ação inerente na criança e no adulto aparece sempre, como uma forma transacional em direção a algum conhecimento. 

A criança aprende através da atividade lúdica ao encontrar na própria vida, nas pessoas reais, a complementação para as suas necessidades. 

Edição: Filipe de Sousa

Texto retirado no jornal: GAZETA VALEPARAIBANA

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A briga pelas cotas nas universidades públicas


    O assunto do momento é o problema das cotas na universidades. Tem muito aluno, que estudava em escola particular, se dizendo prejudicado pelo sistema de cotas da universidade e que o direito de entrar na universidade tem que ser iguais. Não pode haver discriminação. O estranho é que o direito a escola pública de qualidade é igual para todos e esses alunos simplesmente abriram mão desse direito (não reivindicaram) e preferiram gastar dinheiro estudando em escolas particulares (questão de status?).

      Os alunos das escolas particulares nunca se preocuparam em saber como funciona e como vai o estado de ensino nas escolas públicas de ensino fundamental. Alias, do jeito que a escola pública funciona beneficia e facilita a entrada desses alunos na universidade, já que irão competir com alunos despreparados devido a qualidade inferior do ensino básico nas escolas públicas.

      Só que agora a universidade limitou metade das vagas para o estudantes oriundos das escolas públicas e a outra metade pra os alunos das escolas particulares. Agora, os pais e alunos das escolas particulares perceberam que os direitos são iguais e entraram na justiça exigindo direitos iguais conforme prega a constituição. Na vida real as pessoas não tem os mesmos direitos e todo mundo sabe disso.

      O estranho é que a escola pública é controlada justamente pela parte da sociedade que estuda nas escolas particulares. Vamos explicar melhor o assunto: quem são as pessoas responsáveis pelas administração e funcionamento das escolas públicas e consequentemente responsáveis de garantir o direito de ensino de qualidade para todos (inclusive para os alunos de escolas particulares)?

Pra responder é só olharmos pelos poderes constituídos: no poder executivo temos governador, secretários, diretores de departamentos e escolas, no poder judiciários temos juízes, desembargadores, defensores públicos, etc e no poder legislativos temos Deputados Federais, Deputados Estaduais, vereadores e Senadores. Todo esse pessoas é considerado da classe media e tem uma pergunta bem simples: quantos desses cidadãos tem seus filhos estudando em escolas publicas do ensino básico?

     Pra clarear mais o assunto tem outra pegunta: o Conselho de Educação é composto por membros em suas maioria provenientes das Escolas Públicas?

      Mas, a pergunta mais inquietante é : se as pessoas responsáveis de melhorar o ensino básico das escolas públicas tem os seus filos estudando nas escolas particulares por que iriam se preocupar em melhorar o ensino público?

Se a pessoas ir a fundo no caso irá perceber que os alunos provenientes das escolas particulares estão exigindo direitos iguais para entrar na universidades por que não tem como pagar uma mensalidade de um curso de medicina nas Universidades Particulares. Agora eles estão sentindo-se discriminado por não terem acesso ao ensino público por problema financeiro iguais aos alunos pobres que não podem estudar em escolas particulares.

      Claro que a pessoas pode sair dizendo que os pobres passem a exigir um ensino público de qualidade. Só que tem um detalhe: o pobre quando faz manifestação é qualificado de baderneiro e vagabundo, pra entrar na justiça não tem dinheiro pra contratar advogado, os agentes públicos responsáveis pela melhoria do ensino público tem seus filhos estudando em escolar particulares e não estão preocupados com os filhos dos outros e sem falar que o ensino de qualidade inferior nas escolas públicas beneficiam seus próprios filhos que terão uma concorrência menor nos vestibulares e concursos públicos para preenchimento dos empregos na administração pública e empresas estatais.

      Esse tipo de organização nas escolas garante que as estruturas sociais permaneçam inalteradas durante o passar dos tempos.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia

TEXTO REPLICADO DESTE ENDEREÇO:
http://carlos-geografia.blogspot.com.br/2010/03/briga-pelas-cotas-nas-universidades.html

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Senado aprova limite de alunos por turmas do ensino público

As turmas de pré-escola e do 1º e do 2º ano do ensino fundamental da rede pública deverão ter no máximo 25 alunos. No caso das demais séries dessa etapa e do ensino médio, o limite é de 35 estudantes. A restrição está prevista em projeto de lei aprovado hoje (16), em caráter terminativo, pela Comissão de Educação do Senado.

O texto, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/1996), agora será analisado na Câmara dos Deputados. O autor do projeto, Humberto Costa (PT-PE), destacou que o elevado número de alunos por turma impede o acompanhamento e o aprendizado de cada estudante da rede pública.

Pelo texto aprovado na comissão, uma vez aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, a nova lei entrará em vigor em 1º de janeiro do ano subsequente ao da publicação no Diário Oficial da União.

Superdotados

O Senado aprovou também o projeto de lei que institui o cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotados. Agora, a matéria segue para a apreciação da Câmara dos Deputados.

Pelo texto analisado em caráter terminativo pelos senadores da Comissão de Educação, todo o procedimento previsto em casos de estudantes da rede pública superdotados será consolidado pela União em parceria com o Distrito Federal e os municípios. Dessa forma, os senadores acreditam que será possível incentivar a execução de políticas públicas a esses estudantes.

O projeto de lei prevê um prazo de quatro anos, a contar da data de publicação da lei no Diário Oficial da União, para o cumprimento das regras voltadas a esse segmento estudantil.

TEXTO RETIRADO DESTE ENDEREÇO:

sábado, 13 de outubro de 2012

Dia do Professor


O Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro. 

A comemoração começou em São Paulo, onde quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para comemorar seu dia, e também traçar novos rumos para o próximo ano. 

O Dia do Professor foi oficializado nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro  de 1963. O Decreto define a razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias". 

Origem do Dia do Professor 

No dia 15 de outubro de 1827, D. Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil, e pelo decreto todas as cidades deveriam ter suas escolas de primeiro grau. O decreto também continha o salário dos professores, as matérias básicas e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária.

Texto retirado: GAZETA VALEPARAIBANA

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A verdade na Educação no Brasil


De acordo com a Constituição brasileira, em seu artigo 205, “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Assegura ainda, no artigo 206, a “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.” 

Não é preciso ser nenhum grande estudioso da educação para ver que essas belas palavras da lei não são 
praticadas na vida real. No dia a dia, todos nos deparamos com uma educação extremamente atrasada e elitista que visa reproduzir a mesma lógica de dominação da sociedade capitalista. 

Uma prova clara desse descomprometimento dos governos com a educação se dá no tocante à remuneração dos profissionais da educação pública. Os trabalhadores de administração escolar recebem, na prática, um salário mínimo, e mesmo os professores, que passaram por anos de estudo e aperfeiçoamento para estar em sala de aula, recebem baixíssimos salários. 

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em levantamento realizado no final do ano passado com 40 países desenvolvidos e em desenvolvimento, o Brasil paga o terceiro pior salário, menos de 5 mil dólares por ano, no início de carreira. 

Profissionais de países como Alemanha, Suíça e Portugal ganham, em média, cinco vezes mais que os brasileiros, no chamado topo da carreira. Na nossa vizinha Argentina, os professores recebem o dobro da remuneração do Brasil. A desproporção é tão grande que, mesmo numa comparação com a Coreia, os professores primários de lá ganham seis vezes mais que os brasileiros para orientar e dar os primeiros passos na educação das crianças. Tudo isso no país que é a sexta maior economia do mundo. 

Quanto à questão educacional, a pesquisa ainda revela que a relação professor-aluno do Brasil é muito alta, 
chegando a termos em média, 30 alunos por turma, o que prejudica a compreensão e a aprendizagem das crianças. 

Essa baixa remuneração traz como consequência uma “fuga” dos jovens estudantes dos cursos de licenciatura, que servem para formar os professores da educação básica. Esses cursos, por sua vez, estão entre os de maior evasão nas universidades e recebem pouco apoio por parte do governo para garantir a formação de mais professores. 

Dessa forma, é extremamente comum, em todo o país, a contratação de professores sem o grau mínimo de 
formação nas salas de aula brasileiras. Segundo o próprio MEC, através do Censo Escolar, 32% dos professores do ensino infantil, fundamental e médio não possuem curso superior, um total de 636 mil professores, sendo esse um número crescente. No curso de Matemática, por exemplo, não passa de 20% o índice de professores com diploma de licenciatura. 

Acontece que há cerca de 30 ou 40 anos iniciou-se um movimento de avanço do setor privado na educação  
básica, e o crescimento das escolas particulares só se fez possível com a queda nos serviços públicos oferecidos à população. Na prática, os governos trilharam o caminho para a privatização do ensino em todas as esferas, e essa situação dos professores é consequência direta dessa exclusão. Quem pagaria uma escola particular tendo uma educação pública, gratuita e com qualidade? 

O sucateamento da educação não representa apenas um descompromisso, ou irresponsabilidade dos governos. É, sim, uma forma lucrativa de estabelecer um setor bilionário que se mantém graças às carências 
da educação pública. 

Mas os trabalhadores e a juventude resistem a tudo isso e lutam por uma educação de qualidade. Só em 2011 os professores realizaram greves em 12 estados, lutando por melhores condições de trabalho e remuneração digna. Só mediante a luta da sociedade teremos direito a uma educação de qualidade, e é fundamental uma intensa mobilização para pôr fim ao lucro na educação e avançar no acesso ao conhecimento, pois manter o povo brasileiro distante da compreensão dos problemas da sociedade é mais uma estratégia das classes dominantes. 

Como bem disse José Martí, “ser culto para ser livre”.

Rafael Pires, membro da coordenação nacional da UJR

Texto publicado : GAZETA VALEPARAIBANA

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dia Nacional do Livro

Viajando pelos Livros 


Você sabe por que comemoramos o dia Nacional do Livro no dia 29 de outubro? Por que foi nesse dia, em  1810, que a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, quando então foi fundada a Biblioteca Nacional e esta data escolhida para o Dia Nacional do Livro. 

O Brasil passou a editar livros a partir de 1808 quando D.João VI fundou a Imprensa Régia e o primeiro livro editado foi "MARÍLIA DE DIRCEU", de Tomás Antônio Gonzaga. 


LIVROS
UMA VIAGEM NO TEMPO  E NO ESPAÇO

O hábito da leitura é um dos melhores exercícios mentais. Ler é acompanhar ideias e pensamentos de  outrem, saindo de nosso autismo mental.  

Se você não tem o hábito da leitura, comece lendo diariamente 1 ou 2 páginas de um livro que ache interessante. Aos poucos, isto estará enraizado em suas atividades.  

Quantos livros você leu na sua vida? 

Eu li centenas, e posso afirmar que explorar as letras é uma viagem fantástica e deslumbrante, muito maior e melhor que ver programas de televisão.  

A grande vantagem de ler é que direciona a pessoa ao autodidatismo – aprender com outros sem depender dos outros. Você lê, interpreta, e forma sua opinião – vai crescendo até compreender que a sabedoria não advém somente do saber, mas precisa dele – sem ler, como obterá conhecimento amplo?  

Ler amplia a linguagem e permite ao leitor vislumbrar oportunidades e explorar o vasto e complexo mundo à 
nossa volta, sem necessariamente empreender uma viagem literal.  

Livros leves são os indicados para os iniciantes e as crianças – aliás, cultivar o hábito da leitura em seus filhos é o maior benefício que você poderia lhes proporcionar! 

Meu princípio é ler o primeiro capítulo de um livro – se ele não me motivar,  passo para outro.  

      Assim, não perco tempo com  obras maçantes – se o autor não sabe motivar o leitor já nas primeiras páginas, dificilmente o fará nas  seguintes.

Livros sobre história são instrutivos, apesar da tendência dos autores em focalizar ideologicamente a questão  - a história é escrita pelos vencedores. 

Por exemplo, a maioria dos livros sobre história da Guerra do Brasil e Paraguai são focados na versão brasileira de “inimigo agressivo” (tese tradicional), outros levantam o interesse comercial da Inglaterra no conflito (tese "esquerdista") - enfim, poucos se atrevem a revelar fatos mais obscuros e menos ideológicos, com o massacre de crianças paraguaias pelas tropas brasileiras na fase final da guerra. 

Leia bons livros e ... boa viagem! 

Algumas sugestões de livros: 

O Peregrino 
John Bunyan(romance) 

A Revolução dos Bichos 
1984 – George Orwel (sátira política) 

A Desobediência Civil 
Henry David Thoreau (filosofia) 

O Chefe 
Ivo Patarra (jornalismo histórico)

5 Linguagens de Amor da Criança
Gary Chapman (psicologia) 

Guerra e Paz  
Leon Tolstói (romance) 

Confissões  
Agostinho de Hipona (autobiografia) 

Os Elefantes Não Esquecem 
Agatha Christie (romance policial) 

O Monge e o Executivo 
James Hunter (motivacional) 

Discipulando Nações 
Darrow L. Miller (filosofia) 

Como Despertar  o Melhor das Pessoas 
Alan Loy MacGinnis (psicologia) 

Texto Relacionado: O Livro e a Educação

Texto retirado em: GAZETA VALE PARAIBANA

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Livro e a Educação

O livro didático surgiu como um complemento aos grandes livros clássicos. De uso restrito ao âmbito da escola, reproduzia valores da sociedade, divulgando as ciências e a filosofia e reforçando a aprendizagem centrada na memorização. E, por longos anos, ele cumpriu essa missão. 

Hoje, o livro didático ampliou sua função precípua. Além de transferir os conhecimentos orais à linguagem  escrita, tornou-se um instrumento pedagógico que possibilita o processo de intelectualização e contribui 
para a formação social e política do indivíduo. 

O livro instrui, informa, diverte, mas, acima de tudo, prepara para a liberdade. 

A confecção do livro didático exige anos de pesquisa e estudos. O professor tem em mãos uma preciosa ferramenta, que complementa seus conhecimentos, expande sua cultura e funciona como instrumento de atualização. 

A cada ano, são introduzidos novos dados ao conteúdo das obras, o que possibilita acompanhar a evolução das ideias e dos conceitos. 

Ainda mais aqui no Brasil, onde se remunera tão mal os professores, não lhes permitindo passar pelo necessário processo de reciclagem. 

Infelizmente, em diversas partes do país, quem leciona não tem sequer o 2º grau e desconhece as técnicas e os processos de ensino. Nesses casos, o livro acaba se tornando única fonte e meio de informação. Em virtude disso, é básico para todo educador que o material didático ganhe em qualidade, tanto na forma quanto no conteúdo. 

Essa exigência faz com que as editoras especializadas do setor empenhem o melhor de seus esforços em desenvolver projetos visuais arrojados, aprimorem os conceitos, adicionem acessórios aos produtos de modo a possibilitar maior integração nos aspectos gráfico e editorial, o que acaba também por se tornar fator de motivação para professores e alunos. 

É dever do Estado, com seus programas educacionais, proporcionar aos alunos da rede pública de ensino o mesmo acesso aos livros de primeira qualidade utilizados por alunos da rede privada. 

A melhoria do ensino envolve interesses econômicos, políticos e estratégicos. 

Como na reforma agrária, não adianta proporcionar a terra sem que sejam, também, oferecidas as condições mínimas para que ela seja cultivada. 

Na educação, igualmente não basta acontecer a evolução do livro, embora ele seja de significativa importância. 

Antes de proporcionar uma ferramenta de qualidade ao aluno e seu professor, é preciso que ambos tenham, entre outras exigências fundamentais, condições de preparo e um lugar adequado para utilizá-lo. 

Um espaço físico que proporcione segurança, comodidade, liberdade e a possibilidade de atualização e aperfeiçoamento dos professores, o que, até o momento, inexiste na maioria das escolas brasileiras.

Autor: Wagner Soares

Texto publicado: GAZETA VALE PARAIBANA