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segunda-feira, 28 de março de 2011

Cadê os interessados na Educação Pública? (II)


Por Antônio Carlos Vieira


Esta semana ocorreu o encontro do PNE (Plano Nacional de Educação) no Iate Clube de Aracaju (Palestras) e as oficinas com seus respectivos assuntos em várias Instituições espalhadas pela Cidade de Aracaju. No primeiro dia ocorreram palestras e discutidos temas importantes referentes a carreira do professor e de toda a Estrutura Educacional, passando pela parte do financiamento da mesma. No segundo dia ocorrem as oficinas separadas por temas de interessa do sistema Educacional.
 No primeiro dia do evento, com comparecimento acima de duas mil pessoas mas, apesar deste alto comparecimento, dava para se perceber que a grande maioria (principalmente a parte do fundo do auditório) estavam mais preocupados com assuntos paralelos (muita gente conversando). Tanto é que alguns temas, que eu considero graves, foram colocados e passaram despercebidos pela grande maioria dos presente, entre eles: julgamentos da Constitucionalidade do Piso Nacional do Professor, distribuição e ordenação das despesas da União (mostrando a parte que cabe a educação) e o problema do Estado se posicionar em não ter dinheiro em caixa para reajustar o atual salários dos professores.
No segundo dia ocorreram as oficinas que correspondem propriamente a discussão, planejamento e elaboração do PNE, A frequência já não foi tão grande assim, principalmente na pate da tarde.
Eu ainda estou pensativo de como numa exposição de um dos apresentadores foi dito perante uma multidão de professores dos problemas que iremos enfrentar em relação ao salário (é a parte pela qual os professores mais reclamam), correndo o risco até de se retirar a Lei do Piso Nacional do Professor, tem o problema que neste ano o piso ainda não foi reajustado e não houve nenhuma reação e demonstração de descontentamento. É como tudo estivesse as mil maravilhas. Inclusive, um dos palestrante deixou bem claro que o aumento da Taxas de Juros, pelo Banco Central, "para diminuir a inflação)", provoca uma transferência enorme de dinheiro dos contribuinte para as mãos do banqueiros e é justamente na parte que cabe a educação que se retira o dinheiro para pagar esses juros!!!

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quarta-feira, 23 de março de 2011

Cadê os interessados na Educação Pública?

Por Antônio Carlos Vieira


 Quando da realização do CONAE (Conferência Nacional da Educação) fui delegado e participei da seccional ocorrida na Cidade de Santo Amaro-SE.
Antes de me dirigir ao local pensei que o encontraria repleto de professores, pais de alunos e representantes das instituições ligadas a educação. Foi então que tive uma grande surpresa! Chegando no local não havia tumulto e nem havia tantos professores assim.
Para se começar qualquer conferência é necessário se aprovar o Regimento Interno e para isso é necessário a aprovação de 50% + 1 votos dos delegados presentes. A conferência começou atrasada por não haver delegados suficientes  presentes (haviam 94 inscritos) para aprovação e foi necessário se esperar a chegada de mais delegados para que a aprovação fosse de acordo com que preceitua a lei. Depois de aprovado o Regimento Interno, inciou-se as atividades com mais de uma hora de atraso.

Como se tratava de uma conferência para realização e determinação das diretrizes que deveriam serem cobradas dos nossos representantes no Congresso Nacional, em Brasília, eu pensei que haveria uma grande movimentação por parte de professores, pais de alunos, representantes da Sociedade Civil e representantess das instituições ligadas a educação!!!
Todos reclamam que a educação vai de mau a pior e quando tem algum evento para se discutir e elaborar algum plano ou projeto sobre a educação a participação e mínima (na minha opinião falta de interesse).
Apesar da pouca presença, a conferência foi uma verdadeira aula de pedagogia e mostrou o que pensa os diversos segmentos da sociedade, de como anda e o que desejam da Educação Pública. Onde estavam os coordenadores pedagógicos, diretores de escolas e coordenadores que são as pessoas que decidem e administram nossas instituições? Se são eles que tomam as decisões deveriam ser os primeiros a mostrar interesse pelo assunto!
Sempre discuto com esses pedagogos porque a educação vai bem ou mal e percebo que muitos desconhecem as exigências e dificuldades daqueles que se utilizam do Ensino Público . Inclusive, encontro muito deles defendendo a utilização dos chamados pacotes (clique aqui).
Acredito que essa falta de interesse por parte dos que administram ( pedagogos e professores principalmente) o Ensino Público é em decorrência deste Cargos Administrativos serem escolhidos por critérios políticos e não técnicos. Não acredito que o Ensino Público vá melhorar só por colocar em funcionamento a Gestão Democrática mas, uma coisa eu tenho certeza, diminuiria a incidência dessas pessoas que trabalham em cargos e que nunca vão discutir com o público que utilizam estas instituições e mostram claro desconhecimento dos problemas relacionados.
Claro que isso esbarra no interesse políticos que negociam os cargos de confiança e colocam pessoas de seu interesse e não do interesse dos usuários que se utilizam da coisa pública. É bom lembrar, existem mais de dois mil Cargos de Confiança na Rede Pública de Ensino do Estado (SE) e não acredito que os políticos irão abrir mão das negociações políticas (negociação de cargos de confiança) e aprovem a Gestão Democrática. Para isso, seria necessário uma grande pressão dos diversos setores da sociedade e pela participação demonstrada na Conferência isto está muito longe de acontecer!!!


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terça-feira, 15 de março de 2011

O Professor Cigano.


Por Antônio Carlos Vieira


É o professor que leciona  de olho no horário
 para chegar a tempo no outro colégio.
        O que seria o Professor Cigano?
Essa é uma pergunta que sempre faço e as pessoas levam na brincadeira mas, eu falo isso seriamente. O professor cigano é aquele professor que , para ter a sua Carga Horária completa, é obrigado a assumir turmas em vários colégios ao mesmo tempo.

Como surgiu esse tipo de professor?
Esse tipo professor foi moldado desde o tempo em que era contratado para trabalhar as cento e vinte e cinto horas. Naquela época, o professor tinha lotação em um único colégio e só passava a trabalhar as duzentas horas no caso de necessidade de surgimento de mais turmas devido ao aumento de alunos e as vezes algum professor se aposentava e deixava a vacância. Com o decorre do tempo, os professores passaram a ter as duzentas horas como obrigatoriedade na Carga Horária. Foi quando começou a surgir os primeiros Professores Ciganos! Em alguns colégios, que só possuem seis salas de aulas, o professor foi obrigado a completar sua carga horária em outras unidades.
Outro motivo, foi que o Estado começou a colocar mais de quarenta alunos por sala de aula, as vezes mais de cinquenta e isso reduziu o número de turmas por colégio. Ver o texto “O Professor e a Mais Valia Relativa” (clique aqui).
Já na Grade Curricular, algumas disciplinas diminuíram a quantidade de aulas por turmas e portanto diminui a necessidade de se ter mais professores. Ler o texto “Analisando a Grade Curricular” (clique aqui).
E por último, temos a implantação dos chamados “Pacotes “, no qual a grande maioria, o turno só possui quatro aulas por turmas (o ensino regular é cinco). Como os professores de duzentas horas tem que dar 25 horas aulas semanais, ele é obrigado a completar a Carga Horária lescionando mais cinco aulas em outro colégio (ou outros). Ler o texto “Os pacotes na Educação” (clique aqui).

Quais os problemas surgidos?
Primeiramente o de ordem econômica. Quando o professor está em mais de uma unidade de ensino, ele tem de gastar mais passagem com transporte e o Estado só disponibiliza cinco passagens de ida e volta por dia. Como ele tem que se deslocar para mais de um colégio durante o dia, neste dia ele irá gastar uma passagem para ir para um colégio, outra para o segundo colégio e uma terceira para retornar a residência. Se a Carga horária for em colégios diferentes, com turnos diferentes, ele irá gastar duas passagens (de ida e volt)a por dia e fica no prejuízo de algumas passagens.
O segunda é de ordem pedagógica, onde o professor tem que participar daquelas reuniões pedagógicas onde são debatidos os problemas do colégio. Em qual colégio o professor irá participar desta reunião? Em todos, somente em um? Qual deles? Geralmente acaba não participando de nenhuma delas!
As vezes, o professor é obrigado a trabalhar em mais de um turno e em mais de um colégio ao mesmo tempo e derruba aquela história que o professor tem a oportunidade de ter mais de um emprego e pode completar a sua renda familiar (assumem , sem perceberem, que o salário de um único emprego de professor não é suficiente para sustentar a família).
Outro problema é referente ao cansaço físico, já que o Professor Cigano tem que se deslocar mais, consequentemente irá ficar mais cansado!

Observação :
É bom salientar, que o Professor Cigano pode está lecionando em dois ou mais colégios e existe casos em que um mesmo professor tem a carga horária dividida para quatro ou mais colégios!