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terça-feira, 13 de março de 2018

A influência das mães de classe média na escola pública

Famílias atuam nas unidades públicas por diversidade, prédios espaçosos e apropriados, alimentação adequada, e mais envolvimento no processo pedagógico

CAROL SCORCE 12 de Março de 2018

O Conselho Escolar é um dos espaços onde os pais podem atuar diretamente
O movimento de mãe e pais de classe média transferirem seus filhos de escolas particulares para escolas públicas tende a se aprofundar em momentos de crise econômica, como a que o país atravessa. Em 2017, 220.767 estudantes matriculados na rede estadual de São Paulo vieram da rede privada, um número 25,8% maior do que os que fizeram a mudança em 2012 (175.404). No mesmo período, o desemprego cresceu de forma alarmante, forçando a classe trabalhadora a abrir mão de serviços privados como educação e saúde.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Aumenta o número de professores que abandonam as salas de aula

Série especial mostra a atual situação dos professores no Brasil.
Déficit chega a 150 mil. Maioria troca salas de aula por outros empregos.


O Jornal Nacional começa a apresentar nesta segunda-feira (02), uma série especial de reportagens sobre a situação dos professores no Brasil.

É uma profissão que todo mundo elogia, todo mundo concorda que é fundamental, mas que tem despertado o interesse de um número cada vez menor de brasileiros. Os motivos disso estão em discussão na reportagem da Graziela Azevedo e do Ronaldo de Sousa.

O Brasil tem uma necessidade urgente na escola. O país tem uma promessa: "Nosso lema será: Brasil pátria educadora”, afirmou a presidente Dilma Rousseff no discurso de posse.

E um grande desafio: “O apagão já começou há muito tempo. O déficit de professores nas áreas de química, física, matemática e biologia é da ordem de 150 mil professores” conta o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos.

“Eu fiquei dois anos sem professor de matemática. Na 5° e na 6° série. Então até hoje eu tenho muita dificuldade”, conta a estudante Larissa Souza.

“Fiquei trocando de professor de história na 8° série cinco vezes”, reclama um aluno.

Aqueles que poderiam ser futuros professores também estão sumindo dos cursos universitários de formação. 

Acontece nas faculdades particulares: “Na licenciatura de pedagogia, sempre no primeiro semestre é lotada. São 60, quase 70 alunos e vai diminuindo. O pessoal do 6°semestre, nós temos 10 alunos”, explica Carolina Gato, estudante de Matemática e Pedagogia.

Nas universidades públicas a desistência também é notória: “Porque as lacunas começam a aparecer, então coisas que deveriam ter aprendido no ensino médio não aprenderam e aí chega na hora da prova tira zero, tira 2 na prova. Vira uma bola de neve e abandona o curso”, conta Rebeca Omelczuck, estudante de Física.

Mas e quem ficou? Como estão os professores que levaram seus cursos até o fim e estão encarando as salas de aula?

É o que o Ministério Público quer descobrir. Em Novo Gama, município pobre e vizinho à Brasília, as promotoras de justiça mobilizaram mães, pais, servidores públicos e conselheiros da cidade para obter respostas. 

A auditoria cívica é o nome que o Ministério Público deu para o trabalho dos cidadãos que querem melhorar a educação na sua comunidade. Um trabalho que ao Jornal Nacional acompanhou.

Trazendo questionários e vontade de conhecer melhor as escolas públicas, eles se espalham. Parte da tarefa é conversar com os professores. As carências vão aparecendo.

“Falta tudo. Igual folha para tirar cópia para a prova, por exemplo. A gente tem que pedir para os meninos, tem que ir comprar. Chove e a sala fica praticamente alagada”, conta a professora Marta Costa Alves.

Uma realidade tão dolorida que as palavras começam a vir acompanhadas de lágrimas.

Marta Giovana Costa Alves, professora: Quando me deparei em uma sala de aula e vi as dificuldades ali eu não queria estar mais ali.
Jornal Nacional: Você se sente sozinha?
Marta: Nossa.

Assim, à flor da pele, a professora confessa não se sentir mais um modelo para os seus alunos.

Marta: A criança tem que olhar pra mim e ver em mim futuros, sonhos. E eu acredito que as crianças não estão conseguindo ver no professor mais isso.
Jornal Nacional: O que elas veem? 
Marta: Um professor cansado, desmotivado, triste.

A entrevistadora, que também é professora, desaba junto.
Jornal Nacional: E a senhora chora por que? 
Pesquisadora: Porque são 23 anos, quase aposentando, e as palavras dela são as minhas

Depois da entrevista, a professora Marta enxugou as lágrimas e voltou para a sala de aula, mas muita gente que se forma nem chega a entrar em uma. A desvalorização da profissão é o grande motivo. Para ganhar mais com menos estresse, os professores acabam fora das escolas.

A conclusão é de um pesquisador que cruzou os dados de vagas oferecidas e docentes formados ao longo de duas décadas. O levantamento mostrou que, com exceção da disciplina de Física, o número de docentes formados daria para atender a demanda no país.

“Não faltam professores formados então o que está acontecendo é que essas pessoas se formam e ou não ingressam na profissão ou ingressam e se desestimulam e saem. Enquanto um professor formado em nível superior ganhar metade do que ganha um economista, do que ganha um advogado, do que ganha um jornalista, quer dizer, não tem como atrair a pessoa para a profissão”, afirma o pesquisador da USP Marcelino de Rezende Pinto.

Para o novo ministro da Educação a valorização do professor passa por aumento de salário.

“Se você não tiver salários com perspectiva de aumento de salário, você não vai ter as melhores vocações se dedicando ou escolhendo o magistério como sua profissão”, conclui o ministro da Educação Cid Gomes.

O piso da categoria para 40 horas por semana, passou este ano de R$ 1.617 para R$ 1.917. Mas, para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, deveria ser de pelo menos R$ 2.900. Sem falar que nem todos os estados pagam o que a lei determina.

O resultado é o abandono da profissão. Oferta de emprego em empresas e bancos não falta.

“Eles vivem batendo na sua porta, oferecendo salários muito atraentes e que acabam levando muitos colegas da física para outras áreas”, conta o estudante de Física Carlos Otobone.

Mas é na sala de aula que os bons professores precisam estar. Disso ninguém tem dúvida.

“Temos que pensar de fato em uma política integrada que tem como elemento central o professor porque o pessoal discorda de tudo, mas há um consenso: o professor faz a diferença”, diz Marcelino.

Texto original neste endereço: G1

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A EDUCAÇÃO QUE PRECISAMOS

De acordo com os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), em 2009 o Brasil foi um dos países que mais evoluiu na Educação.
No entanto, isso não é motivo para comemoração. O Brasil ainda permanece entre os países de resultados mais baixos, ficando um pouco a frente da Argentina, um pouco atrás de Uruguai, México, Chile e muito atrás dos países da Europa, dos Estados Unidos e da China.
Embora tenha havido um avanço, contabilizado principalmente depois da implantação do Plano de Desenvolvimento da Educação, que estabeleceu a avaliação dos alunos da rede pública pela Prova Brasil e a composição de um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), a realidade da escola pública brasileira ainda é um desafio.
A vinculação do repasse de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) aos resultados obtidos por estados e municípios no IDEB colocou a Educação em discussão, pois a possibilidade de perder recursos fez com que esses mesmos estados e municípios atentassem mais para as escolas e procurassem estabelecer condições mínimas para a aprendizagem dos alunos.
No entanto, estados e municípios procuraram resolver o problema adotando políticas educacionais e modelos pedagógicos importados,sem que a infraestrutura estivesse adequada, numa completa deformação dos conceitos originais. Em São Paulo, isso aconteceu com a Progressão Continuada, a partir de 1997, que foi implantada na rede estadual de uma forma completamente diferente da proposta original, resultando na Aprovação Automática.
Para se ter uma ideia dessa deformação, na Europa, que nos serviu de modelo, a maioria das escolas funciona em tempo integral e seus currículos são organizados em ciclos de dois ou três anos, dentro dos quais existe continuidade de trabalho pedagógico, de equipe de professores e de composição de alunos na sala de aula.
Em São Paulo, a maioria esmagadora das escolas funciona em meio período e o currículo é montado em um ciclo, fictício, de quatro anos, pois a cada ano há uma completa reformulação da composição de alunos na sala de aula e do quadro de professores, descaracterizando os conceitos de ciclo e de progressão.
Isso acontece porque a rede segue uma política equivocada e funciona com mais de 40% de professores não concursados, prejudicando a continuidade de trabalho pedagógico.
Segundo um estudo do Banco Mundial, divulgado logo após os resultados do PISA, desde
1995 o Brasil tem evoluído. Em regiões como Norte e Nordeste, a infraestrutura das escolas ainda é o principal problema, mas isso pode ser resolvido com investimento adequado e interesse político.

Pelo estudo, a essência do problema não reside nos recursos. Uma breve análise sobre os resultados do PISA já demonstra isso, pois estados com menos recursos, como Santa Catarina e Espírito Santo, ficaram bem a frente de São Paulo.
No entanto, faltam professores, especialmente em áreas específicas como Matemática, Física,  Química, Biologia e dentre os que existem, muitos já estão em vias de se aposentar.
A carreira do magistério, que exige formação em nível superior, apresenta uma média salarial menor que qualquer outra carreira diplomada, sendo proporcionalmente equivalente aos vencimentos de uma função de Ensino Médio e as perspectivas de carreira, de salários e de condições e trabalho não estimulamos estudantes que hoje saem do Ensino Médio a se tornarem professores, criando uma situação de iminência de um apagão educacional.
O problema da qualidade de ensino não se resolve com discurso. Os resultados do PISA apontam que o Brasil começa a seguir um caminho, que passa necessariamente pela valorização da carreira do magistério e pela organização do currículo, dentro de uma política educacional que priorize a aprendizagem, em vez de números.

Do contrário, esse caminho pode conduzir ao retrocesso.

Texto retirado: GAZETA VALEPARAIBANA

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Atividades Lúdicas que ampliam possibilidades de leitura e escrita


A função da escola não é só de ensinar a ler mecanicamente, mas ensinar ler criticamente, a interpretar os diferentes tipos de leitura, para evitar a reprodução das desigualdades sociais, conhecendo-as ebuscando superá-las através da aquisição da leitura e da escrita, eassim tornar a sociedade mais igualitária, “querendo educar e promover um tipo de leitor que não se adapte ou se ajuste inocentemente à realidade que está aí” (SILVA, 2002, p.4).

Para tanto, a escola deve considerar a leitura como meio imprescindível para a conscientização e construção de saberes, devendo buscar estratégias para que todas as crianças tenham o pleno desenvolvimento da escrita e da leitura, não fazendo da leitura uma prática constante apenas na alfabetização e nas séries iniciais, mas uma prática diária em todas as fases da vida escolar.

Nesse caso, a leitura tornar-se-á um poderoso instrumento contra a alienação das camadas populares, pois através dela será possível libertar os cidadãos da ignorância, ampliando os horizontes para diversos assuntos e problemas vigentes na sociedade, além de favorecer a
aprendizagem da diversidade cultural de cada país.

Para conseguir tal façanha, a escola deve proporcionar meios e estratégias curriculares junto com os professores para desenvolvimento de metodologias mais eficazes, promovendo uma maior interação entre os alunos e os livros. Barbosa (1994, p. 139) enfatiza que ”o professor
não pode e não deve confiar em uma metodologia especial, milagrosa, mas na sua experiência, fundamentada por sua competência pedagógica”.

Aprender a ler não é muito diferente de aprender outros procedimentos ou conceitos.Exige que a criança possa dar sentido àquilo que se pede que ela faça, que disponha de instrumentos cognitivos para fazê-lo e que tenha ao seu alcance a ajuda insubstituível do professor, a fim de que possa transformar em um desafio apaixonante o que para muitos é um caminho duro e cheio de obstáculos.

Da redação 
Texto replicado : JORNAL GAZETA VALEPARAIBANA (pa. 15)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Verba da Educação pagou contas de escolas de samba

POR CHRISTINA NASCIMENTO

Rio - Um total de R$ 46 milhões que deveria ter sido investido nas escolas do município do Rio foi usado para pagar dívidas de água e esgoto de seis escolas de samba, da Liga Independente (Liesa), do Sindicato de Empresas de Ônibus (Rio Ônibus), do Riocentro e da própria Prefeitura.



A constatação está na avaliação feita pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) sobre a gestão do prefeito Eduardo Paes no ano de 2011.

A confusão começou quando o governo estadual deixou de pagar R$ 57,6 milhões pelo uso de 292 escolas do município entre maio de 2004 e abril de 2009. O espaço era usado para cursos noturnos e, pelo acordo, o Estado deveria ressarcir a Prefeitura das despesas com conservação, preservação, segurança, água e esgoto das unidades emprestadas.

Por outro lado, a Cedae era credora de contas de água e esgoto de escolas de samba, do Rio Ônibus e do Riocentro. Essas contas estariam em nome da Prefeitura, titular de imóveis ocupados por essas instituições.

Ao assumir as “dívidas” com a Cedae, o Estado acabou usando o dinheiro que deveria ter investido nas escolas municipais para pagar contas da Beija-flor, Grande Rio, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Portela e União da Ilha, além da Liesa, Rio ônibus e Riocentro.

Os nomes aparecem na lista que a Cedae encaminhou ao TCM como débitos do município. A prefeitura esclareceu que enviou à Cedae ofício informando que as matrículas do Riocentro e do Rio Ônibus não são dela. Em março, fez o mesmo em relação às agremiações carnavalescas. A Cedae prometeu mudar a titularidade.

Dinheiro pode voltar para o município

O dinheiro que foi usado para pagar as contas de escolas de samba, do Riocentro, Rio Ônibus e da Liesa podem voltar para o município. A Cedae se compromete a devolver em crédito na conta de consumo de água e esgoto da Prefeitura, caso fique comprovado que o débito é de terceiros.

Nesta terça-feira, O DIA mostrou que o TCM questionou o uso do dinheiro arrecadado com a taxa de Contribuição para Custeio de Serviços de Iluminação (Cosip).

A verba foi empregada para manutenção do ar condicionado edifício da RioLuz e para fazer reparo nos planos inclinados. A Prefeitura disse que está verificando os procedimentos adotados para realizar, se necessário, os devidos ajustes ou correções.

TEXTO RETIRADO DESTE ENDEREÇO:

sexta-feira, 13 de maio de 2011

CAPACITANDO OS PROFESSORES!!!

Por Antônio Carlos Vieira

Durante a Conferência Nacional da Educação (CONAE), uns dos temas discutidos no evento foi justamente a Capacitação dos Professores da Rede Pública do Estado e dos Municípios. De acordo com alguns palestrantes (alguns sindicalistas), é dever do Estado garantir a capacitação e os sindicalistas diziam que iriam cobrar esta obrigação do Estado com os professores.
Será que a SEED-SE deixará de capacitar os professores?

Quando das negociações para implantação do Piso Nacional dos Professores, ocorreu um fato estranho,foi exigido pelo sindicato que fosse retirada, dos professores que estavam fora da sala de aula, a Gratificação de Atividade Pedagógica (que substitui a Regência de Classe) pois, deveria ser valorizado os professores em sala de aula. Inclusive, desde este período a frase que mais ouço “lugar de professor é na sala de aula”. Ficou parecendo a campanha do Governo Federal em relação as crianças “toda criança na escola” !!!.
Realmente, se deve valorizar mais o professor em sala de aula. Só que ocorreu um problema, as diversas áreas de trabalho da Secretaria de Educação não fazem somente serviços burocráticos, existe também o serviço de capacitação realizados por alguns setores com alguns professores responsáveis por essas capacitações. Tiveram suas Gratificações de Atividades Pedagógicas retirados (depois devolveram pela metade) por que esses professores responsáveis pelas capacitações não são considerados professores e sim Técnicos na Área de Educação!!! É bom lembrar, que para você capacitar tais professores, os professores em tais setores tem que dar aulas de capacitação para os professores em sala de aula.
Em decorrência desses acordos entre o SINTESE e o Estado: os professores que dão aulas de capacitação passaram a receber um salário menor que os professores que estão recebendo as aulas de capacitação! Como resultado desta politica, os setores responsáveis de capacitar os professores em sala de aula se esvaziaram, já que os professores procuraram retornar para as sala de aula. No setor onde trabalho, da época da implantação do Piso Salarial dos Professores até agora, passou de 47 para 24 pessoas e deses apenas dezenove são professores (desses três se aposentam no próximo ano).
Inclusive, eu que estou escrevendo este texto no momento, sondei a DEA para ver se tinha a possibilidade de meu retorno para sala de aula. O problema é que para preencher a minha carga horária eu teria que dar aulas em quatro colégios diferente e me tornaria um Professor Cigano (clique aqui). Como um dos motivos de ter saído da sala de aula é justamente essa ideia de Professor Cigano, ainda estou aqui na DITE (Divisão de Tecnologia de Ensino).
Nesse caso ocorre duas contradições:
a) No discurso o sindicato exige a capacitação dos professores e na prática o que ocorre é a retirado de direitos de professores responsáveis destas capacitações ou mesmo falta de conhecimento que existam setores responsáveis para tal fim!
b) Os professores que são responsáveis pela capacitação de outros professores, não são considerados professores (pela Secretaria de Educação) e tem que dá capacitação (aulas) recebendo um salário menor que os supostamente seus alunos!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Cadê os interessados na Educação Pública? (II)


Por Antônio Carlos Vieira


Esta semana ocorreu o encontro do PNE (Plano Nacional de Educação) no Iate Clube de Aracaju (Palestras) e as oficinas com seus respectivos assuntos em várias Instituições espalhadas pela Cidade de Aracaju. No primeiro dia ocorreram palestras e discutidos temas importantes referentes a carreira do professor e de toda a Estrutura Educacional, passando pela parte do financiamento da mesma. No segundo dia ocorrem as oficinas separadas por temas de interessa do sistema Educacional.
 No primeiro dia do evento, com comparecimento acima de duas mil pessoas mas, apesar deste alto comparecimento, dava para se perceber que a grande maioria (principalmente a parte do fundo do auditório) estavam mais preocupados com assuntos paralelos (muita gente conversando). Tanto é que alguns temas, que eu considero graves, foram colocados e passaram despercebidos pela grande maioria dos presente, entre eles: julgamentos da Constitucionalidade do Piso Nacional do Professor, distribuição e ordenação das despesas da União (mostrando a parte que cabe a educação) e o problema do Estado se posicionar em não ter dinheiro em caixa para reajustar o atual salários dos professores.
No segundo dia ocorreram as oficinas que correspondem propriamente a discussão, planejamento e elaboração do PNE, A frequência já não foi tão grande assim, principalmente na pate da tarde.
Eu ainda estou pensativo de como numa exposição de um dos apresentadores foi dito perante uma multidão de professores dos problemas que iremos enfrentar em relação ao salário (é a parte pela qual os professores mais reclamam), correndo o risco até de se retirar a Lei do Piso Nacional do Professor, tem o problema que neste ano o piso ainda não foi reajustado e não houve nenhuma reação e demonstração de descontentamento. É como tudo estivesse as mil maravilhas. Inclusive, um dos palestrante deixou bem claro que o aumento da Taxas de Juros, pelo Banco Central, "para diminuir a inflação)", provoca uma transferência enorme de dinheiro dos contribuinte para as mãos do banqueiros e é justamente na parte que cabe a educação que se retira o dinheiro para pagar esses juros!!!

TEXTOS RELACIONADOS:
Cadê os interessados na Educação Pública?
Cadê os interessados na Educação Pública? II

quarta-feira, 23 de março de 2011

Cadê os interessados na Educação Pública?

Por Antônio Carlos Vieira


 Quando da realização do CONAE (Conferência Nacional da Educação) fui delegado e participei da seccional ocorrida na Cidade de Santo Amaro-SE.
Antes de me dirigir ao local pensei que o encontraria repleto de professores, pais de alunos e representantes das instituições ligadas a educação. Foi então que tive uma grande surpresa! Chegando no local não havia tumulto e nem havia tantos professores assim.
Para se começar qualquer conferência é necessário se aprovar o Regimento Interno e para isso é necessário a aprovação de 50% + 1 votos dos delegados presentes. A conferência começou atrasada por não haver delegados suficientes  presentes (haviam 94 inscritos) para aprovação e foi necessário se esperar a chegada de mais delegados para que a aprovação fosse de acordo com que preceitua a lei. Depois de aprovado o Regimento Interno, inciou-se as atividades com mais de uma hora de atraso.

Como se tratava de uma conferência para realização e determinação das diretrizes que deveriam serem cobradas dos nossos representantes no Congresso Nacional, em Brasília, eu pensei que haveria uma grande movimentação por parte de professores, pais de alunos, representantes da Sociedade Civil e representantess das instituições ligadas a educação!!!
Todos reclamam que a educação vai de mau a pior e quando tem algum evento para se discutir e elaborar algum plano ou projeto sobre a educação a participação e mínima (na minha opinião falta de interesse).
Apesar da pouca presença, a conferência foi uma verdadeira aula de pedagogia e mostrou o que pensa os diversos segmentos da sociedade, de como anda e o que desejam da Educação Pública. Onde estavam os coordenadores pedagógicos, diretores de escolas e coordenadores que são as pessoas que decidem e administram nossas instituições? Se são eles que tomam as decisões deveriam ser os primeiros a mostrar interesse pelo assunto!
Sempre discuto com esses pedagogos porque a educação vai bem ou mal e percebo que muitos desconhecem as exigências e dificuldades daqueles que se utilizam do Ensino Público . Inclusive, encontro muito deles defendendo a utilização dos chamados pacotes (clique aqui).
Acredito que essa falta de interesse por parte dos que administram ( pedagogos e professores principalmente) o Ensino Público é em decorrência deste Cargos Administrativos serem escolhidos por critérios políticos e não técnicos. Não acredito que o Ensino Público vá melhorar só por colocar em funcionamento a Gestão Democrática mas, uma coisa eu tenho certeza, diminuiria a incidência dessas pessoas que trabalham em cargos e que nunca vão discutir com o público que utilizam estas instituições e mostram claro desconhecimento dos problemas relacionados.
Claro que isso esbarra no interesse políticos que negociam os cargos de confiança e colocam pessoas de seu interesse e não do interesse dos usuários que se utilizam da coisa pública. É bom lembrar, existem mais de dois mil Cargos de Confiança na Rede Pública de Ensino do Estado (SE) e não acredito que os políticos irão abrir mão das negociações políticas (negociação de cargos de confiança) e aprovem a Gestão Democrática. Para isso, seria necessário uma grande pressão dos diversos setores da sociedade e pela participação demonstrada na Conferência isto está muito longe de acontecer!!!


TEXTOS RELACIONADOS:
Cadê os interessados na Educação Pública?
Cadê os interessados na Educação Pública? II


terça-feira, 15 de março de 2011

O Professor Cigano.


Por Antônio Carlos Vieira


É o professor que leciona  de olho no horário
 para chegar a tempo no outro colégio.
        O que seria o Professor Cigano?
Essa é uma pergunta que sempre faço e as pessoas levam na brincadeira mas, eu falo isso seriamente. O professor cigano é aquele professor que , para ter a sua Carga Horária completa, é obrigado a assumir turmas em vários colégios ao mesmo tempo.

Como surgiu esse tipo de professor?
Esse tipo professor foi moldado desde o tempo em que era contratado para trabalhar as cento e vinte e cinto horas. Naquela época, o professor tinha lotação em um único colégio e só passava a trabalhar as duzentas horas no caso de necessidade de surgimento de mais turmas devido ao aumento de alunos e as vezes algum professor se aposentava e deixava a vacância. Com o decorre do tempo, os professores passaram a ter as duzentas horas como obrigatoriedade na Carga Horária. Foi quando começou a surgir os primeiros Professores Ciganos! Em alguns colégios, que só possuem seis salas de aulas, o professor foi obrigado a completar sua carga horária em outras unidades.
Outro motivo, foi que o Estado começou a colocar mais de quarenta alunos por sala de aula, as vezes mais de cinquenta e isso reduziu o número de turmas por colégio. Ver o texto “O Professor e a Mais Valia Relativa” (clique aqui).
Já na Grade Curricular, algumas disciplinas diminuíram a quantidade de aulas por turmas e portanto diminui a necessidade de se ter mais professores. Ler o texto “Analisando a Grade Curricular” (clique aqui).
E por último, temos a implantação dos chamados “Pacotes “, no qual a grande maioria, o turno só possui quatro aulas por turmas (o ensino regular é cinco). Como os professores de duzentas horas tem que dar 25 horas aulas semanais, ele é obrigado a completar a Carga Horária lescionando mais cinco aulas em outro colégio (ou outros). Ler o texto “Os pacotes na Educação” (clique aqui).

Quais os problemas surgidos?
Primeiramente o de ordem econômica. Quando o professor está em mais de uma unidade de ensino, ele tem de gastar mais passagem com transporte e o Estado só disponibiliza cinco passagens de ida e volta por dia. Como ele tem que se deslocar para mais de um colégio durante o dia, neste dia ele irá gastar uma passagem para ir para um colégio, outra para o segundo colégio e uma terceira para retornar a residência. Se a Carga horária for em colégios diferentes, com turnos diferentes, ele irá gastar duas passagens (de ida e volt)a por dia e fica no prejuízo de algumas passagens.
O segunda é de ordem pedagógica, onde o professor tem que participar daquelas reuniões pedagógicas onde são debatidos os problemas do colégio. Em qual colégio o professor irá participar desta reunião? Em todos, somente em um? Qual deles? Geralmente acaba não participando de nenhuma delas!
As vezes, o professor é obrigado a trabalhar em mais de um turno e em mais de um colégio ao mesmo tempo e derruba aquela história que o professor tem a oportunidade de ter mais de um emprego e pode completar a sua renda familiar (assumem , sem perceberem, que o salário de um único emprego de professor não é suficiente para sustentar a família).
Outro problema é referente ao cansaço físico, já que o Professor Cigano tem que se deslocar mais, consequentemente irá ficar mais cansado!

Observação :
É bom salientar, que o Professor Cigano pode está lecionando em dois ou mais colégios e existe casos em que um mesmo professor tem a carga horária dividida para quatro ou mais colégios!