sábado, 26 de abril de 2014

Reflexos da ditadura na educação impedem país de avançar

Em audiência na Câmara, especialistas pontuaram as heranças do período autoritário que impactam na má qualidade do ensino público e no acesso à educação.

Najla Passos

Brasília - Os reflexos da ditadura civil militar sobre a educação foram tão nocivos e profundos que até hoje, 30 anos após o início da redemocratização, impedem o país de alavancar a qualidade e democratizar o acesso a este que deveria ser um direito fundamental de todo brasileiro. Em audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara, nesta quinta (24), especialistas foram unânimes em apontar as heranças do regime como principais responsáveis pela má qualidade da educação pública e pela vergonhosa falta de acesso a ela para os pelo menos 14 milhões de analfabetos, além de número maior ainda de analfabetos funcionais.

Presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti lembrou que a ditadura pôs fim ao ambiente de otimismo pedagógico dos educadores brasileiros com o avanço da educação popular e emancipatória já nos primeiros dias após o golpe. Em 14 de abril de 1964, um dia antes do general Castelo Branco assumir o posto de ditador, foi extinto o Programa Nacional de Alfabetização, que vinha sendo implantado no país pelo educador Paulo Freire e seria inaugurado oficialmente em maio. Segundo ele, não foi nenhum rompante do regime. A decisão já havia sido tomada um ano antes, quando Castelo Branco ouvira Paulo Freire em um evento no interior paulista. “Vocês estão engordando cobras”, teria diagnosticado o futuro ditador.

Na sequência, vieram as reformas educacionais que arrasaram com o modelo de educação brasileira. O presidente do Instituto narrou que, em 10 de junho de 64, na primeira reunião com secretários de educação, Castelo disse textualmente: o objetivo do meu governo é estabelecer a ordem entre trabalhadores, estudantes e militar. E seu ministro Suplicy completou: estudante deve estudar, professor deve ensinar, e não fazer política. “Aí está o programa da ditadura: uma visão autoritária da educação e uma visão tecnicista que ainda permanece, suavizada, sem a ostentação e arrogância daquele período”, avaliou.

Gardotti ressaltou também a introdução do caráter mercantilista da educação, trazido dos Estados Unidos, que a transforma em negócio, ao invés de direito. “Havia uma lógica de privatizar”, denuncia. Ele criticou a reforma universitária, que promoveu a “departamentalização”, apontada como estratégia para fragmentar o conhecimento. E também a forma autoritária como eram impostos os diretores, selecionados não pelo desempenho acadêmico, mas pelo perfil gerencial. “A reforma universitária visava reformar para desmobilizar”, resumiu.

Sobraram críticas também à reforma do ensino básico, feita de modo a impedir o crescimento intelectual dos alunos. “A reforma da educação básica tem coisas hilárias, como dizer que todo mundo tem que se profissionalizar porque Jesus Cristo foi carpinteiro”, exemplificou. Segundo ele, em uma época que até o Banco Mundial preconizava que os trabalhadores tinham que ter uma formação generalista, a ditadura obrigou todas as escolas de ensino médio a introduzir a formação técnica compulsório, sem nenhum preparo para isso, e o resultado foi um fracasso.

Outro fracasso registrado foi o do Mobral, criado para alfabetizar jovens e adultos e extinto no governo Sarney. Em quase 20 anos, o programa, que prometia acabar com o analfabetismo em 10, conseguir reduzir a taxa apenas de 33% para 25%. “O Mobral alfabetizou muito pouco. E era muito mais fácil do que hoje, porque esses 8% residual que temos agora está no campo e em locais de difícil acesso”, analisou.

No inventário dos prejuízos causados pela ditadura à educação brasileira, ele incluiu também o desmantelamento dos vários movimentos sociais e populares, a eliminação da representação estudantil e a perda da capacidade dos educadores de influir nos rumos da educação. Para ele, é preciso mudar a concepção da educação. “Nós temos que formar professores a partir de uma outra ótica, de uma outra concepção de educação que respeite o saber das pessoas, que introduza o diálogo, o respeito, e vença aquilo que é o mais duro do que foi herdado da ditadura: a falta de democracia”, diagnosticou.

Como exemplo, ele citou o quanto ainda é difícil implantar um conselho de escola ou mesmo difícil discutir política na escola, o que considera salutar para o país.

“Estamos formando gerações sem discutir que país queremos”, afirmou. Gardotti lembrou que Paulo Freire já dizia que educar é politizar sim. “Não podemos formar estudantes na velha teoria do capital humano: estude, trabalhe e ganhe dinheiro. Paulo Freire respondeu claramente a esta teoria na época: a educação que não é emancipadora faz com que o oprimido queira se transformar em opressor”, concluiu.

O sociólogo e colunista da Carta Maior, Emir Sader, lembrou que o arrocho salarial foi tão importante para a sustentação da ditadura quanto a repressão sistemática, o que acabou comprometendo a qualidade dos serviços públicos, inclusive a educação. “O santo do chamado “milagre econômico” foi o arrocho salarial”, afirmou. Segundo ele, até então, a escola pública era um espaço de convivência entre a classe pobre e a classe média, um espaço de socialização. “A classe média, a partir daquele momento, passou a se bandear para escola particular, fazendo um esforço enorme, colocando no orçamento os gastos de escola e deixando a escola pública como um fenômeno social de pobre”, observou.

O sociólogo avalia que a ruptura causada foi tão significativa que a escola pública, até hoje, não recuperou seu vigor. “A democratização não significou a democratização do sistema educacional, não significou a recuperação da educação pública, da saúde pública. Isso está sendo feita a duras penas na última década, mas com uma herança acumulada brutal. Já tem reflexos no ensino universitário, mas não em toda a educação: a escola pública nós perdemos”, ressaltou.

Para ele, os investimentos em educação superior são importantes, mas é a reconquista da qualidade da educação primária e média que deve ser tema fundamental e urgente à democracia brasileira. “Estamos muito atrasados. Até a saúde pública, apesar do viés duríssimo da perda da CPMF, nós conseguimos melhorar agora com o programa Mais Médicos. Mas a educação, não. A estrutura de poder herdada da ditadura só se consolidou, inclusive a da educação privada”, observou Sader, lembrando que os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso aprofundaram ainda mais o processo de privatização deflagrado pelos militares.

Sadir Dal Rosso, professor da Universidade de Brasília (UnB), uma das mais afetadas pelo golpe civil militar, submetida a três intervenções, abordou o impacto da ditadura na universidade e na construção do pensamento brasileiro. Segundo ele, o controle das administrações universitárias, a demissão e expurgos de professores que não concordavam com o regime, os assassinatos de estudantes, o controle das organizações estudantis e a implantação de serviços de informação no meio acadêmico causaram prejuízos imensuráveis ao país, que ainda precisam ser investigados e punidos. “É necessário esclarecer a verdade e, neste sentido, é necessário rever a Lei da Anistia”, defendeu.

Texto originalmente publicado: CARTA MAIOR

segunda-feira, 7 de abril de 2014

OITO DICAS PARA SE COLOCAR NO LUGAR DA AUDIÊNCIA

A obrigação de se fazer entender é de quem fala ou escreve, não de quem ouve ou lê” (Ricardo Amorim). Essa frase, tirada de uma entrevista do Ricardo Amorim (economista e integrante da bancada do programa Manhattan Connection, da GloboNews), é realmente interessante.

Quando começamos a preparar uma apresentação, o mais importante de tudo é que a audiência entenda o nosso conteúdo, correto?
Esse é o objetivo principal de fazermos aquele PPT com nosso projeto, ideia, produto, metas, etc.

Mas como nos fazer entender? Vamos à prática!

1) Quem é minha audiência?
Para que você se faça entender com mais clareza, é preciso levar em conta uma das premissas básicas da comunicação: quem é minha audiência? Saiba antes quem são, quantos são, o grau de envolvimento e de conhecimento sobre seu conteúdo e, principalmente, o que eles não sabem.

2) Inverta os papéis
Um dos primeiros passos para criar uma apresentação de destaque é se colocar no lugar de quem vai ouvir a sua narrativa. Para garantir que todos captem a sua mensagem, você precisa ser inteligível, interessante e fluído ao apresentar.

3) Seja claro
Use linguagem apropriada. Sempre inicie o roteiro da sua apresentação pensando se a linguagem é pertinente para seu público. Use a postura, a linguagem corporal e os gestos para deixar sua mensagem mais atraente.

4) Exemplifique
Pense em como os presentes podem aplicar sua ideia ou conceito no dia a dia deles. Ou seja, dê exemplos práticos também.

5) Evite o “tecniquês”
Evite abusar da linguagem técnica ou de termos complicados. Na medida do possível, use linguagem coloquial e simples, facilitando o entendimento. E, claro, capriche no visual dos slides.

6) Conte uma História
Engaje sua audiência contanto uma bela história, com começo, meio e fim e na qual ela se identifique. Afinal de contas, quase ninguém se lembra de datas (QUANDO aconteceu), mas quase todo mundo se lembra DO QUE aconteceu.

7) Questione
Faça pausas e questione os presentes a cada tópico. Deixe sempre um tempo ao final para sanar dúvidas e responder perguntas.

8 ) Treine
Treine, treine, treine. Esse tópico é autoexplicativo.

Aqui na SOAP, quando vamos entender o briefing do cliente, geralmente iniciamos exatamente detalhando qual tipo de audiência assistirá àquela apresentação.

E o melhor jeito de fazer isso é se colocar, de verdade, no lugar do cliente. 

Autor: Sergio Auerbach – Paulistano, corintiano, formado em cinema e comunicação. Acredita que conteúdo é comunicação. Ou será o contrário? –

Teto replicado do blog : PROFESSOR ANTOMAR MARINS

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Brasil tem 33 milhões de analfabetos funcionais, diz IBGE

A definição de analfabetismo vem, ao longo das últimas décadas, sofrendo revisões significativas como reflexo das próprias mudanças sociais. Em 1958, a UNESCO definia como alfabetizada uma pessoa capaz de ler e escrever um enunciado simples, relacionado a sua vida diária. Vinte anos depois, a UNESCO sugeriu a adoção dos conceitos de analfabetismo e alfabetismo funcional. Portanto, é considerada alfabetizada funcionalmente a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita e habilidades matemáticas para fazer frente às demandas de seu contexto social e utilizá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida.

Os níveis de analfabetismo funcional são:
Analfabeto - Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de  telefone, preços etc.);

Rudimentar - Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica;

Básico - As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já lêem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, leem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações; e

Pleno - Classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: leem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos.

Texto relacionado: Os Tipos de analfabetismo

Texto retirado: GAZETA VALEPARAIBANA

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

LIMITANDO A ACESSIBILIDADE

A tecnologia foi modernizando os equipamentos e estruturas utilizadas pela sociedade, mas mesmo assim é cada vez mais difícil para as pessoas, com problemas de alguma deficiência, a vida no dia a dia. Tudo é feito para atender as pessoas que não tenham alguma deficiência. Entre as causas que dificultam, a vida das pessoas com algum tipo de deficiência, podemos citar: valorização do transporte individual, falta de respeito as normas de acessibilidade e também o avanço da tecnologia na área de informática.


Valorização do transporte individual
Se observarmos os projetos e construções das novas vias para tráfego de veículos se nota que são construídas com o intuito de facilitar a vida de quem em carro. O CNT (Código Nacional de Trânsito) prevê que a prioridade é o pedestre e o que se vê no dia a dia é que se dá prioridade aos carros. Basta notarmos que tudo é feito para os carros passarem o mais rápido possível e para os pedestre estão construindo passarelas. O problema é que essas passarelas dificultam a vida dos idosos e pessoas com algum tipo de deficiência e isso é feito na impossibilidade de fazer os motoristas respeitarem as faixas de pedestres.

Esse parte da Avenida Tancredo Neves (Aracaju-SE-Brasil) fica bem em frente ao departamento de transito (DETRAN) e fico imaginando neste local não se conseguia e nem se consegue fazer com que os motoristas respeite a faixa de pedestres que aí existia. Por isso se construiu uma passarela(a foto foi retirada o fotografo estando na passarela).

Falta de respeito às normas de acessibilidade
Na construção dos novos edifícios, praças e ruas é obrigatório, por lei, se criar rampas para dar acesso aos cadeirantes. Mas o que se vê é que mesmo as construções mais novas nem sempre respeitam a construção de rampas e ainda tem o caso daquele hábito dos brasileiros não respeitarem os locais onde existem essas rampas. Mesmo quando existe, é comum os motoristas estacionarem em frente a essas rampas e sem falar que muitas dessas rampas são mal construídas que dificultam o uso

É muito comum o estacionarem impedindo o acesso as rampas

Três exemplos de falta de cumprimentos das normas na construção das rampas para acesso dos cadeirantes. A primeira rampa construída a beira de uma ribanceira, a outra rampa foi construída com um poste de ferro o que a tornou inacessível e o terceiro exemplo tem uma inclinação acentuada acima do normal!!!

Avanço da tenologia na área da comunicação
Desde o surgimento dos telefones os deficientes visuais sempre conseguiram utilizar esses aparelhos pelo tato. Os telefones mais antigos de linha, para se fazer a ligação, tinham um disco na parte superior no qual rodando se ligava (discava) para outro aparelho. Os deficientes visuais conseguiam fazer as ligações facilmente já que os número no disco eram sequências e fixos.

Depois vieram os computadores de mesa e telefones portáteis (celulares) no qual é utilizado um teclado com letras e números. Esses telefones permitem fazer ligação oral ou escrita (envio de mensagens). Não fica tão difícil para os deficientes visuais fazerem ligações, bastando que o mesmo decorarem as posições das letras e números no teclado.

Só que com a modernização dos computadores e fabricação dos novos aparelhos utilizando monitores, que são acionados com toques digitais, a coisa se complicou para esse deficientes. Para complicar ainda mais, os programas que gerenciam esses aparelhos ainda não são detectados pelos antigos programas de leitura de tela e que terão de melhorar a tecnologia para que isso ocorra. Por enquanto, de uma maneira geral, só a grande maioria dos aparelhos telefônicos, tablets e alguns caixas de banco estão vindo com o sistema de operação por toque digital. O problema é que cada vez mais os aparelhos de comunicação estão sendo vendidos com essa telas de toque, com teclado digital, substituindo os aparelhos com teclados físicos que facilitam o uso pelo tato.

Essa tecnologia, que facilita o uso do aparelho por toque digital, torna difícil para uso, deste aparelhos, por parte dos deficientes visuais. Tem o problema de quando não forem mais vendidos aparelhos com teclados físicos e detectáveis pelo tato? 

Algumas versões do sistema l já traz recursos para que o mesmo seja operacionalizado pelo toque usando o recurso de voz, mas a dificuldade ainda são grandes e limitadoras. Claro que irão aparecer programas que irão preencher esta lacuna, mas é bom lembrar que serão pagos e o ideal seria a própria empresa que produz, esses aparelhos, se propusesse a fazer o sistema pensando em resolver este problema. Tanto é que os sistemas operacionais dos computadores de mesa e os chamados portáteis têm de instalar programas adicionais para que os deficientes visuais consigam utilizá-los e a grande maioria são pagos!


Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Mensagem de Início de Ano - 2014

No final deste ano, com a perspectiva da realização da Copa do Mundo de Futebol e das Eleições presidenciais, continuarei usando a tradicional mensagem musical (Este Ano quero Paz no Coração), interpretação feita pelos Incríveis, que poderá ser ouvida no vídeo abaixo:




E para vocês começarem o ano bem calmos escolhi este vídeo musical instrumental da música do Filme Titanic,  de ótima interpretação.
FELIZ E PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A TECNOLOGIA DO PARÁGRAFO

O governo está distribuindo tablets para
professores e alunos
Um dos grandes problemas no Brasil era conseguir alfabetizar a população. Alfabetizar está colocado no sentido da pessoa saber ler e escrever. Nos censos, de 40 ou 50 anos atrás, o número de pessoas que não sabiam ler e escrever era algo de se ver para acreditar. Mas as pessoas que aprendiam a escrever conseguiam elaborar cartas e textos com mais de uma página. Hoje é fácil encontrar as pessoas lendo e escrevendo com facilidades, só que estranhamente as pessoas não conseguem escrever e interpretar um texto longo com mais de uma lauda! O que ocorreu com o passar do tempo?
Para tentar responder a pergunta, do parágrafo anterior, vou fazer uma descrição das tecnologias existentes no período que estudava sendo alfabetizado.

Neste período, em que era estudante, as tecnologias para educação eram simples, mas não eram menos fascinantes das tecnologias atuais. Entre as tecnologias utilizadas, podemos citar:

Em sala de aula:
Quadro negro e giz
Livro (quando tinha fotos eram em preto e branco)
Uso do caderno de caligrafia e tabuada

Entre as diversões que exigiam a leitura:
Os gibis - histórias em quadrinhos (a Turma da Mônica era a mais popular) e tinham os gibis de faroeste com centenas de páginas.
Filmes legendados ( a grande maioria era de faroeste)
Jornais Escritos (na maioria das vezes eram de formato tabloide)
Os romances (os vendidos nas bancas de revistas eram de histórias de amor).

O grande problema é que não existiam vagas nas escolas suficientes para todos que desejavam estudar. Naquela época já eram comuns as escolas de alfabetização pagas e todas as escolas de alfabetização da cidade, particulares ou não, estarem sempre cheias de garotos. Isso ocorria devido a grande existência de pessoas necessitando estudarem sem a quantidade devida de vagas nas escolas para a demanda existente.

Quando a pessoa terminava o chamado primário, para ir estudar o ginasial, era obrigatório se fazer uma espécie de vestibular (era chamado de admissão) e concorria as vagas existentes. Embora a explicação para tal prova fosse de que só seriam aceitas, nas séries ginasiais, alunos com as qualidades minímas aceitas, na realidade funcionava como um regulador para que o governo não ficasse na obrigação de se colocar escola para todos. Como a pessoas ficavam na dependência de concorrer as vagas existentes não era cobrado do governo que se criasse mais escolas e se contratasse mais professores.

Durante o ensino primário os alunos só eram considerados aptos para ir ir para o ginasial quando já soubessem escrever redação, cartas e ler com naturalidade. Isso era um dos grandes motivos de alta repetência.

Com o passar do tempo, as escolas deixaram de exigir a prova de Admissão e os professores deixaram de reprovar os alunos por motivo de não saberem escrever uma redação e ler fluentemente.

Não se percebeu que a extinção dessas exigências iria se criar um exercito de analfabetos funcionais. Com a tecnologia, que paralelamente foi surgindo, esse problema passou despercebido durante algum tempo. Começaram a aparecer gravadores, gravações de áudio e de vídeo de baixo custo (principalmente com o surgimento do computador e a internet) e essa tecnologia facilitou a pessoa a ter acesso a história, romances e fatos da históricos sem a necessidade de se saber ler e escrever.

O aparecimento do micro computadores interligados com a tecnologia da comunicação (internet) estimulou (ainda estimula) as pessoas aprenderem a ler e escrever. O grande problema é que essa tecnologia, com as chamadas redes sociais, é usada para conversação rápidas e a pessoa não precisa e nem tem necessidade de se escrever textos longos (redação, cartas e assemelhados). Geralmente as mensagens não chegam a ter mais de um parágrafo! Embora a tecnologia estimule as pessoas aprenderem a ler e escrever, ela estimula e habitua as pessoas a lerem e escreverem mensagens e não conseguem escrever e interpretar textos longos.

O uso da tecnologia da comunicação, aliada a compactação do microcomputadores em forma de tablets e telefones, permitem que as pessoas fiquem conectadas entre si todo o tempo e em todos os lugares.

Os aparelhos de
comunicações tendem
a funcionarem de
maneira semelhantes.

A tecnologia está estimulando as pessoas a aprenderem a ler e escrever, ótimo, mas com o passar do tempo se percebeu que elas, as pessoas, não conseguem interpretar grandes textos! Conseguiu-se diminuir o número de Analfabetos Totais e se criou um exército de Analfabetos Funcionais!

O Problema do Analfabetismo Funcional está ocorrendo a nível mundial e passou a ser o grande desafio para os governos e redes de ensino em todas as nações!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

Texto relacionado: Os Tipos de Analfabetismo


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OLÁ COMO VAI?

Que tal ficarmos sem televisão por um tempo, sem internet, deixarmos o celular e o carro em casa. E então, como será que nos sentiremos?

Talvez, o tempo pareça demorar mais a passar...

Claro que a tecnologia faz parte de nossas vidas e devemos usufruir desse avanço que facilitou muito nosso dia a dia e tem sido uma importante contribuição nas pesquisas científicas e descobertas para cura de doenças, aumentou a velocidade do tempo com que desenvolvemos nossos trabalhos e melhorou consideravelmente os recursos para o aprendizado.

Mas apesar disso, não podemos deixar de colocar em questão a dependência que se criou em torno da tecnologia e de como estamos“conectados” todo o tempo. A linguagem resumiu-se a caracteres, distanciando-se cada vez mais do português correto e dos jovens estudantes em plena formação.

Quanto à distância, ela também se instalou entre as pessoas através de atitudes;comunicamo-nos com amigos pelo face book e não mais em encontros e rodas de conversas, compartilhando segre dos e sonhos.

Temos os olhos voltados o tempo todo para os smartphones; em casa, na rua, na praia e no trânsito, deixando de lado, cada vez mais,o abraço, a paquera e a cordialidade dos cumprimentos.

Perdemos a família que almoçava reunida aos domingos, as visitas que fazíamos e recebíamos nos finais de semana, os passeios de mãos dadas e, sem contar, a alegria dos avós que recebiam seus netos em tempos de férias para passar um tempo com eles.Perdemos a essência do relacionamento e o poder de reservar para nossas vidas esses bons momentos.

Vamos nos desarmar dessas ações tecnológicas e nos relacionar mais com as pessoas e,saber o que as pessoas pensam, sentem e em que podemos ajudá-las?

Que tal encontrar seus amigos pessoalmente no aniversário ao invés de cumprimentá-lo pelas redes sociais, chamar seu filho no quarto com palavras ao invés do Skype ou “torpedo”, promover a fraternidade o ano todo e não apenas nas festas de final de ano, dar um brinquedo para seu filho e interagir com ele nas brincadeiras exercitando o pensamento e expressando pensamentos e sentimentos.

Depende de nós continuarmos dependentes e viciados disso tudo ou simplesmente usarmos todo esse avanço a nosso favor sem aumentar ainda mais essa distância.

Nem sempre estou bem, e você, como vai?

Genha Auga  – Jornalista MTB: 15.320 
 
Texto publicado na GAZETA VALEPARAIBANA

sábado, 19 de outubro de 2013

'Geração do diploma' lota faculdades, mas decepciona empresários

Ruth Costas

Da BBC Brasil em São Paulo
Atualizado em 9 de outubro, 2013 - 17:33 (Brasília) 20:33 GMT


Número de instituições de ensino
 superior mais que dobrou desde 2001
Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.

Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.

"Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A EDUCAÇÃO QUE PRECISAMOS

De acordo com os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), em 2009 o Brasil foi um dos países que mais evoluiu na Educação.
No entanto, isso não é motivo para comemoração. O Brasil ainda permanece entre os países de resultados mais baixos, ficando um pouco a frente da Argentina, um pouco atrás de Uruguai, México, Chile e muito atrás dos países da Europa, dos Estados Unidos e da China.
Embora tenha havido um avanço, contabilizado principalmente depois da implantação do Plano de Desenvolvimento da Educação, que estabeleceu a avaliação dos alunos da rede pública pela Prova Brasil e a composição de um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), a realidade da escola pública brasileira ainda é um desafio.
A vinculação do repasse de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) aos resultados obtidos por estados e municípios no IDEB colocou a Educação em discussão, pois a possibilidade de perder recursos fez com que esses mesmos estados e municípios atentassem mais para as escolas e procurassem estabelecer condições mínimas para a aprendizagem dos alunos.
No entanto, estados e municípios procuraram resolver o problema adotando políticas educacionais e modelos pedagógicos importados,sem que a infraestrutura estivesse adequada, numa completa deformação dos conceitos originais. Em São Paulo, isso aconteceu com a Progressão Continuada, a partir de 1997, que foi implantada na rede estadual de uma forma completamente diferente da proposta original, resultando na Aprovação Automática.
Para se ter uma ideia dessa deformação, na Europa, que nos serviu de modelo, a maioria das escolas funciona em tempo integral e seus currículos são organizados em ciclos de dois ou três anos, dentro dos quais existe continuidade de trabalho pedagógico, de equipe de professores e de composição de alunos na sala de aula.
Em São Paulo, a maioria esmagadora das escolas funciona em meio período e o currículo é montado em um ciclo, fictício, de quatro anos, pois a cada ano há uma completa reformulação da composição de alunos na sala de aula e do quadro de professores, descaracterizando os conceitos de ciclo e de progressão.
Isso acontece porque a rede segue uma política equivocada e funciona com mais de 40% de professores não concursados, prejudicando a continuidade de trabalho pedagógico.
Segundo um estudo do Banco Mundial, divulgado logo após os resultados do PISA, desde
1995 o Brasil tem evoluído. Em regiões como Norte e Nordeste, a infraestrutura das escolas ainda é o principal problema, mas isso pode ser resolvido com investimento adequado e interesse político.

Pelo estudo, a essência do problema não reside nos recursos. Uma breve análise sobre os resultados do PISA já demonstra isso, pois estados com menos recursos, como Santa Catarina e Espírito Santo, ficaram bem a frente de São Paulo.
No entanto, faltam professores, especialmente em áreas específicas como Matemática, Física,  Química, Biologia e dentre os que existem, muitos já estão em vias de se aposentar.
A carreira do magistério, que exige formação em nível superior, apresenta uma média salarial menor que qualquer outra carreira diplomada, sendo proporcionalmente equivalente aos vencimentos de uma função de Ensino Médio e as perspectivas de carreira, de salários e de condições e trabalho não estimulamos estudantes que hoje saem do Ensino Médio a se tornarem professores, criando uma situação de iminência de um apagão educacional.
O problema da qualidade de ensino não se resolve com discurso. Os resultados do PISA apontam que o Brasil começa a seguir um caminho, que passa necessariamente pela valorização da carreira do magistério e pela organização do currículo, dentro de uma política educacional que priorize a aprendizagem, em vez de números.

Do contrário, esse caminho pode conduzir ao retrocesso.

Texto retirado: GAZETA VALEPARAIBANA

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

REPROVAR OU APROVAR?

Eis a questão!

Desde que o prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou algumas reformas na educação, temos acompanhado e participado de alguns debates. Sob a alegação de que a “aprovação automática não estava dando certo”, a reforma prevê a diminuição dos ciclos para que as reprovações ocorram nos 3º, 6º, 7º, 8º e 9º anos. Também está prevista a recuperação de alunos nas férias e a possibilidade de se carregar dependência (DP), ou seja, a reprovação somente na disciplina que se faça necessária, por fim também será implementada a obrigatoriedade da lição de casa, provas bimes trais e a alteração dos conceitos (insatisfatório, satisfatório e plenamente satisfatório) para notas de 0 a 10.

Diante deste quadro a opinião de diferentes educadores e escritores se divergem. Ambos apresentam seus pontos de vista e argumentam.

Nós entendemos que nenhum professor (sério) comemore a reprovação de um aluno. Ninguém deve ser reprovado por causa de comportamento, mas sim por critérios bem definidos para que se avance nos estudos. E é ai que mora o problema.

Nem sempre a escola tem os critérios bem definidos. A aula fica restrita a cópia da lousa e a resposta das atividades. A prova, quando é aplicada, reproduz o modelo exposto. Ou então, limita-se a repassar aos alunos uma lista de perguntas para que sejam respondidas de acordo com o modelo utilizado. Se um aluno não decorar o que se passou, fica com nota vermelha.

A falta de conhecimento teórico-pedagógico em grande parte dos professores corrobora com este quadro, mas, felizmente, nem sempre é a regra. Também existe a situação em que o professor tem ciência do seu dever, diversifica a metodologia das aulas, aplica diferentes tipos de avaliação e mesmo assim o aluno não consegue ir adiante, porque apresenta algum problema (aprendizagem – na aquisição do conhecimento) ou simplesmente porque não quer aprender.

No caso da primeira hipótese, acreditamos que seja necessário um acompanhamento diversificado. Encaminhamento a um psicopedagogo já é um bom começo! De nada vai adiantar colocar um aluno com dificulda de de aprendizagem em uma sala de reforço com a mesma metodologia. Já na segunda hipótese, o aluno que não demonstra interesse pelo estudo deverá ser reprovado, uma vez que a escola não pode ser um mundo paralelo à sociedade.

Se uma das funções da escola é o seu “preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, como será esse funcionário que opta pelo que quer fazer, quando quer fazer e como quer fazer?

O que acontece com um funcionário quando faz seu trabalho totalmente errado causando prejuízo para sua equipe e para a empresa?

O que observamos nesses quase dezoito anos de aprovação automática é que a qualidade dos serviços prestados nos diferentes estabelecimentos piorou. São médicos que não tem bagagem mínima de química. Engenheiros com defasagem em matemática, jornalistas com erros crassos de português, advogados com dificuldade de interpretação de textos, professores com defasagem de conteúdo e preguiça de ler, caixas de supermercados e lojas dando troco errado, atendimento mal feito e por ai vai...

A geração de “funcionários folgados” que a progressão automática criou, causou e ainda irá causar muitos prejuízos sociais e econômicos. A falta de responsabilidade e de cidadania ainda vai deixar cicatrizes por todos os lados.

Para o poder público reprovar significa custos, mas será que alguém já calculou os prejuízos que um cidadão mal formado traz para a sociedade?

Muitos educadores sonhadores crucificaram essa atitude do governo paulistano. Dizem que os alunos tem que ter uma escola alegre e que essa atitude vai aumentar a evasão. Eles até podem ter sua parcela de razão, mas é sempre importante lembrar que a escola deve preparar para a vida, para a cidadania e para o trabalho e não é esse o tipo de sociedade em que vivemos. Também não é preciso radicalizar e transformar a escola em um aparelho de tortura. É possível unir uma escola com um

bom projeto pedagógico, aulas diversificadas e até mesmo divertidas em uma ponta e a cobrança na outra ponta. Aluno que não estudar, independente da série ou ciclo, deve ser reprovado.

Talvez tenhamos que considerar a reprovação como um produtor de desigualdade social, pois uma vez reprovado o aluno poderá abandonar a escola. A reprovação, de certa forma, escamoteia as afirmações liberais de igualdade pela instrução, porque interrompe o curso de muitos alunos. Sabemos que o “desenvolvimento humano não volta atrás”, mas sozinho não é capaz de dar ao aluno o conhecimento necessário para diminuir o processo de exclusão ao qual será submetido fora da escola.

Segundo o relatório, de 2010, do Monitoramento da Educação para Todos, da ONU/UNESCO, no Brasil a cada ano são reprovados 7 milhões de estudantes.

Assim como a aprovação automática, a reprovação por si só também não irá garantir a qualidade do ensino. Muito se tem discutido, mas em base ao custo da educação, porém estamos esquecendo que educação não é custo e sim investimento. O que poderia, talvez, garantir o aprendizado seriam medidas sócio-político-educacionais alinhadas a decisões pedagógicas efetivas. Essas são questões ideológicas que afugentam os libe-rais e os neoliberais, visto que para eles tudo se resume em custos.

A repetência poderá gerar problemas futuramente, mas a progressão continuada, implantada a partir da LDB de 1996, já está dando frutos, pois excluiu e continua excluindo milhares de pessoas do processo seletivo, visto que são analfabetos funcionais e não adquiriram competências e habilidades necessárias para suprir a expectativa da sociedade relativamente ao emprego.

Para que não seja uma arma nas mãos de professores menos preocupados é necessário prover condições dignas e acesso e permanência dos alunos na escola, bem como uma melhor preparação dos professores e valorização dos profissionais. Melhorar a formação pedagógica do professor especialista provendo de ferramentas disponíveis para aplicarem no desenvolvimento dos seus alunos, já seria um avanço. De posse dessas ferramentas os professores poderiam repensar a avaliação meramente classificatória, que é injusta e não auxilia em nada. Ela é estática e freia o processo educativo, pois classifica o aluno em aprovado, reprovado, bom ou ruim.

A avaliação tem que ter um objetivo diagnóstico, um momento dialético no processo educacional visando o crescimento da autonomia. A avaliação não pode ser entendida como ponto final de um processo em que tudo poderá ter sido em vão. A questão não é uniformizar o comportamento, mas sim criar condições de aprendizagem e com isso evoluir na construção do conhecimento.

Portanto, a aprovação ou reprovação após um ciclo qualquer tem quer ser meticulosamente repensado em função daquilo que se pretende avaliar no aluno. O que queremos saber?Suas competências e habilidades? Ou se ele é apenas bom ou ruim?

Reprovar por reprovar não vai trazer benefícios, mas aprovar por aprovar também não. Uma coisa é importante dizer. O poder público deve acabar com a aprovação automática, e nós professores precisamos estudar mais, para podermos enfrentar mais um desafio que é: - Aprovar ou reprovar?

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão Ambiental,
Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
Articulista e palestrante.
icguedes@ig.com.br

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química.
Pós-Graduado em Química.
decamargo.omar@gmail.com


Texto publicado: GAZETA VALEPARAIBANA  (pág. 9)